Paredes em Transição

O movimento Paredes em Transição é uma rede de amigos que vivem na cidade de Paredes, no Norte de Portugal, que partilham a preocupação de que a debilitante dependência em combustíveis baratos de que a nossa sociedade e economia padecem – e que não está a receber a devida atenção dos vários governos, que parecem actuar na premissa de que o petróleo barato e abundante continuará por cá em perpetuidade – possa vir a resultar em graves e imprevisíveis problemas de que a tecnologia não conseguirá livrar-nos, e que poderão afectar muito negativamente o nosso futuro e o dos nossos filhos. Saiba mais no menu Projecto.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

E de Nuestros Hermanos...

El escarabajo verde: Pueblos en transición!

Documentário sobre o Movimento de Transição em Maiorca.



¿Puede imaginarse una vida sin petróleo? ¿Qué pasaría si mañana el petróleo se convirtiera en un bien escaso y caro? La sociedad industrial se instaló en la historia de los seres humanos aportando desarrollo y riqueza pero haciéndola dependiente del transporte. Una de las respuestas a esta dependencia del petróleo la protagonizan aquellos que defienden un modelo de vida más autosuficiente y mucho más local.

Los avisos de que quizá se ha llegado al límite y de que se impone una revisión llegan desde varios lugares. Aquí en Europa, fue Rob Hopkings, un arquitecto, quien empezó a crear escuela en Inglaterra. Su manual sobre los pueblos en transición empezó a divulgarse y ha sido el pequeño municipio de Totnes -3.000 habitantes- donde están iniciando esa transición hacia el cambio. Mientras tanto, otras localidades europeas también siguen por este camino.

En España, existen algunos grupos, de momento aislados, que están intentando unirse para iniciar lo que en inglés se denomina transition towns. Una de las experiencias que en estos momentos se está intentando desarrollar está en Mallorca. La isla es una buena referencia para ubicar esta dependencia del petróleo.


Leia mais aqui.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Transition Primer em Português!

Leitura imprescindível para todos os interessados sobre o Movimento de Transição!
Se desejar, aceda a este link para descarregar a versão pdf.
Boa leitura!

Horta Biológica em Guimarães

Outros movimentos, com outros nomes, mas um único objectivo.
Aqui fica um vídeo (crédito à RTP) com uma reportagem sobre uma horta biológica em Guimarães.


segunda-feira, 12 de julho de 2010

Ecomorfose

Nesta época em que diariamente aparecem milhentos novos projectos na Internet, confesso que poucos me cativaram como este que aqui partilho convosco.

O Ecomorfose - é assim que se intitula - encantou-me pela sua filosofia, pela simplicidade, e pela ausência de proselitismo, muito comum em projectos de activismo ambiental ou social.

Em perfeita sintonia com o conceito de transição, esta página é um registo dos passos que o autor tem tomado no sentido de reduzir a sua pegada ecológica. Como ele diz: "Ecomorfose é a revolução eminente que irá voltar novamente as pessoas para as suas comunidades, para o respeito pela natureza, para a resiliência e sustentabilidade, para a produção local, para a independência de governos e indústrias e para a disponibilidade em ajudar outras pessoas e o ambiente". No fundo, um processo de transição pessoal.



Ecomorfose é obra de Ricardo Marques, presidente do Núcleo do Porto da Quercus, e mais do que um repositório de experiências, é um compromisso do autor de viver de acordo com os princípios em que acredita e advoga, mostrando-nos que não é assim tão difícil nem oneroso reduzirmos a nossa pegada ecológica.

Como diz o Ricardo, "Este é um local de ensaio e partilha de soluções. Não é um regresso ao passado, é usar o que de melhor se fazia, misturar com o melhor que se faz no presente para construir um futuro melhor".

Nas várias secções do site, o Ricardo explica-nos sucintamente como poderemos construir uma sistema solar térmico caseiro para aquecer água, como plantar vegetais na varanda, ou construir um lago que aumentará a biodiversidade de espécies num quintal, por menos de 100 Euros.

Todos somos convidados a participar. A frase "a inércia é uma arma de destruição massiça" faz todo o sentido.

domingo, 11 de julho de 2010

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Oficina de Reutilização

Um dos 12 ingredientes do Modelo de Transição é "Reaprender as Artes e Ofícios", internacionalmente conhecido como "The Great Reskilling", e consiste numa série de workshops que visam ensinar aos participantes artes como a produção de alimentos nos nossos quintais e terraços, a utilização de bolotas para confecção de pão e outros alimentos, aprender a conhecer plantas e fungos selvagens que poderemos incluir na nossa dieta, uso de materiais de construção alternativos, trabalhos de carpintaria, costura, etc., etc., etc.

O Núcleo do Porto da
Quercus tem levado a cabo, com bastante sucesso até, vários workshops nesta linha, que cobriram temas que vão desde as decorações de natal até à utilização culinária de plantas aromáticas e condimentares. Penso que deveria ter acrescentado que estes workshops decorrem de uma forma muito informal, num ambiente extremamente agradável.
No próximo Sábado a 8, dia 17 de Julho, decorrerá na sede do Porto (na Maia) mais um destes workshops, desta vez sobre a reutilização de papel já usado:


OFICINA DE REUTILIZAÇÃO

Durante muitos anos nos habituamos a utilizar o papel e em seguida deitá-lo fora muito facilmente. Mas nunca nos apercebemos que este pequeno gesto originou uma produção em massa de papel por parte das grandes empresas de celulose. Para a criação de uma resma de papel (com 500 folhas) é necessário 7% de uma árvore, ou seja uma árvore produz 15 resmas. Mas se pensarmos que por exemplo cada empregado de escritório gasta em média 20.000 folhas por ano, onde a maior parte acaba por seguir para o lixo já nos obriga a repensar que devemos adoptar estratégias que contrariem esses gastos.

Sabia que uma simples folha de papel demora cerca de 6 MESES até se degradar por completo?

Desta forma numa tentativa de alertar para o desperdício de papel que se faz diariamente a Quercus convida-o a participar na Oficina de Reutilização onde aprenderá a técnica do reaproveitamento do papel proveniente de revistas e jornais que se traduzirão em belos objectos muito úteis e por um preço nulo.

Participe e ajude este mundo a tornar-se um local melhor para viver!


OFICINA DE REUTILIZAÇÃO

Local: Quinta da Gruta

Dia: Sábado, 17 de Julho de 2010

Horário: 15h30 às 17h30

Formadora: Ana Moreira

*Valor: Sócio - 3€ / Não Sócio - 4€

Transferência bancária – 0035 0730 0003 2687 6307 6

*Inclui Certificado de Participação e todos os materiais necessários à execução da oficina.

Para mais informações contacte:

Quercus – Núcleo Regional do Porto

Quinta da Gruta, Rua João Maia, 540

4475-643 MAIA

Telm:931620212/Tel: 222 011 065

Email: porto@quercus.pt

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Transição Pessoal I

O processo de transição de uma comunidade para um futuro menos dependente de energias fósseis assenta no somatório dos vários processos de transição pessoal dos elementos que constituem essa comunidade. Se "pensar globalmente, agir localmente" faz todo o sentido, também o fará "pensar globalmente, agir individualmente".
Pela nossa parte, temo-nos esforçado em que uma cada vez maior proporção do que consumimos tenha origem local, passámos a produzir parte dos vegetais que consumimos e começámos, também, a aventurar-nos pelos processos de produção do pão, iogurte, compotas e queijo.
O que para muitos será uma coisa corriqueira, algo que sempre viram fazer, para nós é totalmente novo e tem sido uma aventura.

Uma fornada de pão. Uso uma mistura de farinhas de trigo, milho, centeio e farelo, que obtenho do Sr. João Moleiro, que ainda mói nas Pias, com a energia das águas do Rio Sousa.


Outra fornada de pão, acompanhada por doce de cereja. Os frascos vieram do IKEA, com compota, mas a resiliência também se constrói reutilizando recursos.


No ponto!


Estas foram as cerejas utilizadas para a confecção do doce mostrado acima. Digamos que tinham carne a mais e não deram para outra coisa... Para nós foi uma experiência nova!


Aqui temos pão, iogurte (canto superior esquerdo) e queijo (cremoso, no canto superior direito). O soro do leite (canto inferior direito) resulta do processo de fabrico do queijo, e é utilizado na confecção do pão.

Com estas experiências, temos economizado alguns €€€, mas acima de tudo tem sido uma aventura enriquecedora e divertida que temos partilhado com os nossos amigos, e que vos convidamos a experimentar, se nunca o fizeram.
Boa Transição! ;-)

terça-feira, 6 de julho de 2010

Amigos de além Mar! Essa foi a matéria da Silvia Rocha para o site da Thereza!


Seleção Brasileira emplaca na Inglaterra



clique nas imagens para ampliar ::


Com instigante título “Is Transition in Brazil following the football road – created in England with the best players in Brazil?” (O movimento Transition Brasil está indo na mesma trilha do futebol – criado na Inglaterra, e com os melhores jogadores do Brasil?), uma equipe de 8 entusiasmadas brasileiras, sendo 4 granjeiras, apresentaram seus trabalhos na primeira conferência mundial do movimento Transition Towns, que aconteceu de 12 a 14 de junho de 2010 em Newton Abbot, Devon, Inglaterra. O tema brasileiro, inspirado no clima de Copa do Mundo, foi escolhido como o mais criativo da Conferência.

Do Site da Granja, Thereza Franco e eu tivemos o privilégio de representar a o TGV – Transition Granja Viana – juntamente com a idealizadora do movimento granjeiro, a arquiteta sustentável Isabela Menezes, e com a designer gráfica e de joias Dani Terracini, que vem traduzindo nossa imagem nos vibrantes logotipos do TGV.

Na Conferência, fomos acompanhadas por May East, brasileira que reside na Ecovila de Findhorn há quase duas décadas, especialista em sustentabilidade e diretora do Gaia Education, que foi quem apresentou o movimento mundial Transition Towns (TT) aos arquitetos sustentáveis Marcelo Todescan, Frank Siciliano e à jornalista e diretora da Fundação Stickel, Monica Picavea.

O tema que apresentamos foi: “Há menos de um ano desde que o primeiro treinamento de Transition Towns ocorreu no solo fértil do Brasil, a Transição vem se disseminando viralmente nos mais diferentes contextos sócio-econômicos. Esta sessão abordará como a Transição no Brasil está ocorrendo por meio de três estudos de caso:

  1. A Transição em comunidades abaixo da linha de pobreza, mas com alta resiliência, como o município de Serra, no Espírito Santo e Vila Brasilândia, bairro no norte da cidade de São Paulo.
  2. Transição na classe média e comunidades alternativas no Rio de Janeiro (bairros cariocas de Grajaú, Santa Teresa e o município de Petrópolis)
  3. Transição em bairros de classe média e alta, como o caso da Granja Viana, bairro composto por 7 municípios da zona oeste de São Paulo, há 12 quilômetros da capital (Cotia, Carapicuíba, Jandira, Osasco, Itapevi, Embu das Artes e Barueri). Apresentamos as 3 ações de sucesso na Granja Viana: Hora do Planeta na Granja, Feira de Trocas - AUescambAU e a campanha Voto onde Moro


Tivemos o privilégio de obter uma entrevista exclusiva com os criadores do Transition Towns, Rob Hopkins e Peter Lipman. Um dos pontos mais marcantes da entrevista, no meu entender, foi quando Rob nos disse que eles (do Transition Towns) é que tinham a aprender conosco, da América do Sul, principalmente no que diz respeito à nossa realidade com as populações menos favorecidas e vivendo em favelas. E disse-nos que queriam acompanhar de perto nossa transição, que poderá servir de modelo para muitas outras comunidades do mundo com realidades semelhantes.

Confira o vídeo:
Rob Hopkins message for Transition Brazil

E, nas palavras de um querido português participante da Conferência em seu blog, Miguel Ângelo Leal:


“Seleção Brasileira na Conferência da Transition Network 2010”

“Um dos grupos presentes na conferência da Transition Network 2010 que mais atenção despertou foi a delegação brasileira, composta por 8 transitioners no feminino: Isabela, Mónica, Sílvia, Taíza, Daniela, Maria Thereza, Zaida (a viver no Novo México, EUA) e May East (a viver na eco-aldeia de Findhorn, no Norte da Escócia). Com mais algumas pessoas oriundas do Brasil presentes na conferência, e considerando o Reino Unido como um todo, o Brasil foi, muito provavelmente, o segundo país mais representado neste evento!”

Entrevista com Rob Hopkins

“Esta selecção brasileira surpreendeu e, sem dúvida, deu que falar - não é por acaso que é referida por três vezes no blog de Rob Hopkins: Transition Culture. A alegria do grupo era contagiosa. Espalharam boa disposição e acabavam por atrair a si quem passava. Na última noite, foi possível escutar um grupo expressivo de participantes (que não falavam português) a cantar com sotaque brasileiro!”

“Penso que em Paredes poderemos aprender imenso com a experiência brasileira, e, sem dúvida, os protagonistas estão dispostos a ajudar-nos.”


Para quem quiser conferir o blog do Miguel Leal e seu texto sobre a Conferência, na íntegra, clique aqui.



Sílvia Rocha é jornalista e mestre em Comunicação Social pela ECA-USP. É poeta haikaísta*, pedagoga e tradutora e mora na Granja há 15 anos. É co-fundadora do Studio Vero, studio de design sustentável que fabrica presentes, mobiliário e displays na Granja Viana. Está prestes a publicar seu livro de poesias Caminho de haikais e, atualmente, trabalha no título O Caminho de São Francisco de Assis e outros caminhos.

* haikai: micropoema de 3 versos, de origem japonesa, inspirado na natureza.

e-mail: silvia@granjaviana.com.br


segunda-feira, 5 de julho de 2010

Permablitz em casa da Vanda

Esta entrada não se deveria chamar Permablitz, uma vez que não foi um verdadeiro permablitz, onde são utilizadas técnicas de permacultura, mas foi a nossa primeira iniciativa deste género, no movimento Paredes em Transição, e como em tudo, servirá para retirar lições para o futuro. É, no entanto, um passo em direcção a uma resiliência incrementada para a família da Vanda, e por conseguinte para a comunidade em geral.
A actividade aconteceu já há algumas semanas, antes de este blog ter nascido, mas como tarde é melhor do que nunca, partilhamos agora o que foi feito com quem encontrar interesse neste tipo de iniciativa.
Neste caso, foram usadas técnicas e equipamentos convencionais, pois foi esse o desejo da Vanda, mas, quem sabe, no futuro podermos convencê-la a ir um pouco mais longe e tentar uma aproximação mais condicente com os ditames da permacultura.

Aparecemos em casa da Vanda com mudas de plantas, ferramentas e até alguns alimentos de nossa confeccção, como o pão que se vê na imagem e o já famoso elixir de flor de sabugueiro.

Primeira tentativa. O terreno revelou-se bastante compacto e difícil de ser trabalhado, de modo que a Vanda resolveu chamar a cavalaria, o que fez as delícias do Manuel Aguiar, que aparece abaixo a guiar o motocultivador.


De modo que enquanto eu abanava a cabeça, o Manuel - descendente de agricultores a sério! - tratou de preparar o solo. O terreno estava tão seco que se levantava uma nuvem de poeira.


Fase de meter as plantas no solo (neste caso tomateiros). À esquerda a Alexandra, à direita a Vanda. O pé que se vê é do Manuel.


(Achei que esta imagem estava com piada e não resisti a incluí-la).


Sim, sou eu. Plantando alguns tomateiros junto ao muro, para aproveitar o efeito de orla, em que, neste caso, o muro serve de reflector solar e termo-acumulador, o que, em teoria, deverá permitir um melhor desenvolvimento das plantas. Quando crescerem, os tomateiros poderão ser empados na rede acima do muro, evitando a necessidade de os estacar.
O motocultivador não conseguiu chegar aqui, mas isso não foi problema nenhum ;-) Sou adepto do cultivo sem o revolvimento do solo.


Nesta última imagem aparece a Vanda a regar os tomateiros junto ao muro, onde se pode ver uma camada de relva recém-cortada que eu tinha aproveitado para cobrir o solo à volta das plantas. Os tomateiros que se podem ver à direita foram plantados segundo o método convencional, com o solo a descoberto, e à espera se ser estacados. Espero que o futuro possa mostrar as vantagens do efeito de esposição, orla e não-exposição do solo. A rede para empar os tomateiros foi apenas um bónus.
Deixo agora a cargo da Vanda mostrar imagens do "Depois".

domingo, 4 de julho de 2010

As Hortas da Ribeira do Ralo

Em Vila Nova de Gaia, no vale da Ribeira do Ralo, em Canidelo, não muito afastado da Praia de Lavadores, é possível encontrar esta série de hortas de subsistência que são um regalo para os olhos. Podem até nem seguir os preceitos da permacultura - já vi por lá sacos de fertilizantes e pesticidas - mas são uma afirmação inequívoca da intenção desta comunidade em manter a resiliência que lhe foi deixada pelas gerações anteriores. Não consigo imaginar nada mais português do que isto!
Produz-se de tudo um pouco, com relevância para as hortícolas, mas também se podem ver algumas árvores de fruto, como figueiras, macieiras e alguma fruta de caroço.
A água para regar sai da Ribeira do Ralo, e, como pode ser visto em algumas destas imagens, muitas das sementes que serão utilizadas no ano seguinte são produzidas localmente. Também as estacarias recorrem a materiais obtidos localmente, como a Cana-do-Reino (Arundo donax) e a fibra de piteira.
Cá em Paredes, hortas destas ainda são comuns (mas penso que não tanto como quando eu era criança), mas o que me encanta neste exemplo de Vila Nova de Gaia é a concentração destas parcelas que se vão sucedendo ao longo da ribeira.
A regra geral, no entanto, parece ser que são mantidas por pessoas com uma certa idade, com muito poucos jovens interessados em produzir parte dos alimentos que consomem.


Estacada de feijões.
Estacada de feijões, couves, alfaces, batatas, árvores de fruto enlatadas!

Cebola para semente.

Entre outras coisas, alface para semente, à direita.

Entre outras coisas, estacaria de tomateiros e alface. De notar as árvores de protecção contra a aragem do Oceano Atlântico (Pittosporum undulatum, uma invasora em Portugal muito utilizada para este mesmo fim), no canto superior esquerdo.

Couves e estacaria de feijão. Todas as estacarias que aqui se vêem são feitas com canas (Cana-do-Reino) e atadas com fibra de piteira, também produzida localmente.


E até uvas aqui se produzem!

sábado, 3 de julho de 2010

Notícias de outra Transição

Olá a todos! Notícias da transição newton abbotiana (Newton Abbot, Devon, UK): http://www.transitionnewtonabbot.org.uk/.

O projecto em que estamos (eu e a Maria Inês) mais envolvidas é a horta comunitária. O terreno, muito simpaticamente localizado à beira rio, foi doado pela câmara (uma ideia para o vosso município) acerca de 1 ano e meio. Nessa altura, a transição Newton Abbot estava a dar os primeiros passos e a horta deu uma ajuda a materializar o projecto.

A permacultura é um conceito central na nossa horta. Não se destina portanto só a envolver a comunidade na produção de vegetais e fruta localmente, o que já é uma missão ambiciosa e meritória. Esta horta também tem o objectivo de servir de montra a uma abordagem da agricultura que pretende reproduzir as relações que se estabelecem nos sistemas ecológicos naturais.

O nosso plano da horta contempla uma área reservada à biodiversidade, à volta do charco que construímos e que neste momento pulula de libélulas e tritões e outras espécies que eu não faço ideia. E muito importante contempla também de um forest garden; uma pequena área de bosque em que possamos ter árvores de fruto (castanheiros, macieiras, ameixoeiras), pequenos arbustos e outras plantas perenes comestíveis e que requeira uma energia mínima da parte do agricultor. Esta parte é futuro.

Nos últimos tempos, temos nos concentrado nas plantas anuais (feijões, ervilhas, batatas, saladas, cebolas) que fomos plantando intervaladas com ervas aromáticas e flores benéficas a cada espécie.
Para mim, o mais interessante no projecto é vê-lo evoluir conforme as pessoas do grupo vão amadurecendo os conceitos e novas pessoas vêem e outras vão. E ir à horta é acima de tudo um evento social!
Gosto do vosso blog e vai-me mantendo informada.
Até já,
Miriam

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Colheita de batatas


Estamos na época em que se apanham as batatas. O Manuel Aguiar convidou-nos para ajudarmos a apanhar as batatas que ele cultivou no quintal dele, mas apenas 3 pessoas cá do grupo apareceram, e o Manuel era uma delas. Penso que desta actividade de transição em Paredes se podem tirar algumas lições:

1.ª Nunca entitular um email com que se pretende mobilizar os amigos para virem dar uma mãozinha na "Arranca das batatas"! Não. Será bem melhor chamar-lhe "Workshop sobre colheita de tubérculos" ;-)

2.ª Quando se fala em bebidas, nunca dizer: "Não se preocupem com a bebida! O poço leva muita àgua..." Não. Será bem melhor dizer "Durante a actividade serão servidas bebidas frescas, como vinho-verde e sumo de sabugueiro feito com água fresquinha!
3.ª E o que é que eu tenho a ganhar com ir apanhar batatas no quintal do Manuel? Bom, "Cultivar parte dos alimentos que consumimos é um dos pilares para a nossa transição pessoal e um passatempo extremamente gratificante. Entre os vegetais que podemos produzir para auto-consumo, as batatas são um dos mais fáceis e que menos trabalho dão. Por outro lado, se bem armazenadas, poderão preservar-se durante meses a fio, sem perderem qualidades. Ora depois de uma boa época de crescimento, a colheita do fruto do nosso esforço e dedicação é um dos momentos mais especiais do ciclo da batata. Requer uma técnica especial que minimiza a destruição dos tubérculos, que será demonstrada aos presentes, que terão, ainda, a oportunidade de a colocar em prática, para mais tarde a replicarem nos seus projectos pessoais;
4.ª Faltou falar em alimento para o corpo! "Deveria ter constado no email algo como: "Será feita uma pausa durante a qual será servida bola de carne acabada de retirar do forno", e "O momento mais especial do ciclo da batata é comê-la. Cozida, a nadar em azeite. Não faltará uma sardinhada acompanhada com algumas das batatas recolhidas no dia;
5.ª Faltou falar em alimento para o espírito! "O workshop contará com uma sessão em que se apresentarão algumas plantas aromáticas que se dão bem na nossa região, e modos de as utilizar";
6.º Finalmente, após o final do workshop e durante o momento de rejúbilo geral, a cada participante será entregue uma parte do fruto do esforço colectivo para levar para casa!

Digam lá que assim não conseguiremos mais gente para estas actividades? (Caramba, o blogger devia ter emoticons!)


Fase final da colheita de tubérculos.




Alguns dos tubérculos recolhidos.


Colheita total (com excepção das que, apesar da técnica refinada - Ai que tosse! - utilizada sairam cortadas ou feridas) na cave do Manuel e da Xanda.


Só falta dizer que houve mesmo sardinhada acompanhada por batatas apanhadas no dia, com vinho verde e sumo de sabugueiro. A salada de alface e tomate também saiu da horta do Manuel - devias ter avisado Homem!