Paredes em Transição

O movimento Paredes em Transição é uma rede de amigos que vivem na cidade de Paredes, no Norte de Portugal, que partilham a preocupação de que a debilitante dependência em combustíveis baratos de que a nossa sociedade e economia padecem – e que não está a receber a devida atenção dos vários governos, que parecem actuar na premissa de que o petróleo barato e abundante continuará por cá em perpetuidade – possa vir a resultar em graves e imprevisíveis problemas de que a tecnologia não conseguirá livrar-nos, e que poderão afectar muito negativamente o nosso futuro e o dos nossos filhos. Saiba mais no menu Projecto.

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Um jardim subversivo!

Como disse alguém, um dia, o acto de passarmos a produzir (pelo menos) parte do que comemos tem algo de subversivo... Assegurarmos a produção de uma boa parte do que consumimos confere-nos um poder enorme, que neste momento reside nas cadeias de distribuição.
Imagine-se o poder que os cidadãos portugueses teriam nas mãos se a maioria dos alimentos consumidos no nosso país fossem de produção local! A quantidade de energia que não se consumiria! A quantidade de carbono que não seria libertada para a atmosfera! A quantidade de dinheiro que não se acumularia nas contas das EDPs, GALPS e quejandos!

Num esforço nesse sentido, algures em Paredes, um grupo de cidadãos decide plantar uma árvore de fruto (neste caso, uma oliveira), sem dar cavaco. (Podemos dizer que a ocasião fez o ladrão ;-).

Com o devido respeito pelo fotógrafo e pelo valor histórico da imagem em questão, esta aqui lembra-me aquela fotografia famosa do Joseph John Rosenthal, tirada durante a Segunda Guerra Mundial, com os Marines a erguerem a bandeira americana no topo do Monte Suribachi, durante a batalha de Iwo Jima... simbólico?

Minhocas ENORMES! Imensas! Excelente!

As oliveiras são, por norma, árvores bastante rústicas e aguentam bastantes abusos, o que as torna numa das nossas espécies produtivas de maior sucesso, mas é sempre bom mantê-las bem hidratadas nos primeiros dias no novo local.

Ide por esse Mundo e plantai árvores!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Frutos da Comunidade

No dia 2 de Abril de 2011 juntámos mais de 40 vizinhos para plantar árvores de fruto em dois espaços publicos, junto às nossas residências. Na altura colocámos um artigo no nosso blog, que pode ser revisto aqui. Os frutos desse projecto já podem ser vistos e saboreados:

 Tangerinas.

Entretanto, outros citrinos (mais tangerinas, laranjas e toranjas) começam a ficar prontos para ser colhidos. Aguardamos!

sábado, 2 de abril de 2011

Vizinhos em Transição

Seria possível reunir em Paredes para cima de 40 vizinhos empenhados em plantar árvores de fruto num espaço comum nas traseiras das suas habitações?
Seria possível reunir pessoas que, se bem que habitassem muito próximo umas das outras, nunca tinham trocado uma palavra para lá de um bom dia, boa tarde ou boa noite, à volta de um mesmo objectivo?
Seria possível convencer as pessoas a dedicarem a tarde do seu Sábado a uma actividade que nunca lhes tinha passado pela cabeça?
Seria possível convencer pessoas que nunca tinham pegado numa ferramenta na vida a darem o seu melhor com uma pá, cavando o solo para plantarem uma árvore?
Seria possível convencer as pessoas a confeccionarem um bolo, pão, biscoitos, para partilharem com vizinhos com quem mal tinham trocado uma palavra?


Esta actividade de plantio de árvores de fruto em espaço público mostrou que tudo isto é possível, e muito mais. Abriu a porta a possibilidades até agora inimagináveis, e um futuro cheio de possibilidades.


 O Isaac, a Piedade e um pessegueiro.

A criançada atarefada a plantar uma tangerineira.


O Sr. Pereira diz: Olha o passarinho!


Enquanto se cavou, apareceram muitas minhocas, que recolhemos para não as magoar, como o João nos mostra. No fim, foram devolvidas ao seu elemento.

Mais uma laranjeira. O Sr. Amaro está em todas!



A D. Margarida com uma laranjeira. Falei com ela hoje pela primeira vez!

Houve alturas em que o sol se escondeu, e ameaçava chover, mas a água que regou as plantas vinha das torneiras das garagens anexas, em baldes com que os vizinhos apareciam quando foram necessários.

À volta de um pessegueiro.

As ferramentas que nos foram oferecidas pela Ferfor revelaram-se extremamente úteis, e chegaram para todos.


O Sr. Francisco Garcês, dos viveiros Francisco Garcês, forneceu-nos as árvores e ainda nos deu apoio técnico sobre como plantar uma árvore. Ficou connosco até ao fim da actividade.



E ainda houve tempo para descansar, conhecer os vizinhos, até mesmo os de 4 patas.


A árvore da Marta. Cada árvore foi confiada a uma das crianças presentes.


 A fotografia de grupo, e já falta muita gente! Não é o número que interessa, mas o espírito que se criou. Temos um conjunto de vizinhos em Transição, e esfomeados por mais!

No fim, invadimos a garagem do Sr. Amaro para lanchar. Todos nos apercebemos das possibilidades que se nos abriram com esta actividade. As pessoas diziam que queriam mais. O que é que podemos fazer a seguir? Quando? Decidimos que vamos reparar a vedação à volta de um dos espaços ajardinados, lixar e pintar. Vamos reparar o lancil de betão que já se apresenta muito lascado. Os vizinhos também mostraram vontade de instalar 3 bancos de jardim para que, nos dias de calor, nos possamos sentar à sombra das árvores que já lá existem, e das que plantámos. Queremos lombas para reduzir a velocidade dos automóveis que entram neste espaço onde as nossas crianças brincam, e que por vezes exageram na velocidade.
Dia 26 de Maio é o Dia Europeu do Vizinho. Se antes nos parecia impossível realizar fosse o que fosse com os nossos vizinhos para esse dia, depois de hoje é já uma certeza.


A nosso muito sentido agradecimento à Ferfor, uma empresa que fabrica ferramentas para a agricultura, jardinagem e construção aqui muito perto de nós, na Serrinha, Lixa, a uns meros 20 quilómetros de Paredes. Ofereceram-nos um conjunto muito completo de ferramentas, que esperamos voltar a utilizar muito brevemente, e se possível, já na primeira horta comunitária que contamos criar. Estamos em Transição para um mundo menos dependente de combustíveis fósseis, e nada melhor do que incentivar a economia local, escolhendo o produto que é feito ao nosso lado, por pessoas que até podem ser nossos vizinhos.




Gostaríamos ainda de agradecer ao Sr. Francisco Garcês e aos viveiros com o mesmo nome, pelo preço especial que nos fez pelas árvores, e pelo entusiasmo que trouxe para este projecto. Que esta cumplicidade que com esta actividade se criou perdure e gere muitas alegrias como as de hoje.