Paredes em Transição

O movimento Paredes em Transição é uma rede de amigos que vivem na cidade de Paredes, no Norte de Portugal, que partilham a preocupação de que a debilitante dependência em combustíveis baratos de que a nossa sociedade e economia padecem – e que não está a receber a devida atenção dos vários governos, que parecem actuar na premissa de que o petróleo barato e abundante continuará por cá em perpetuidade – possa vir a resultar em graves e imprevisíveis problemas de que a tecnologia não conseguirá livrar-nos, e que poderão afectar muito negativamente o nosso futuro e o dos nossos filhos. Saiba mais no menu Projecto.

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sábado, 22 de outubro de 2011

Ernst Götsch no Instituto Português de Permacultura

O Ernst encontra-se, agora, a leccionar um novo curso de agrofloresta no no Instituto Português de Permacultura, no Vale da Lama, em Lagos, Algarve, e a SIC esteve lá a filmar. Aqui fica a reportagem:
O título da notícia é: Curso ensina jovens a explorar potencialidade da Terra preservando ecossistemas.
"Cansados da cidade, há cada vez mais jovens, incluindo licenciados, que procuram uma vida no campo. E há até um curso de Permacultura que visam ajudar nesta integração. Um deles funciona na Quinta do Vale da Lama, no Algarve. Os que frequentam esta formação dizem-se em ruptura com o mundo urbano".

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Foi Assim o Curso de Agrofloresta em Mangualde

 Mas que grande curso!

Há acontecimentos que mudam a nossa maneira de pensar, e este foi, definitivamente, um deles. Foi um enorme privilégio poder passar uns dias a beber dos conhecimentos deste homem, Ernst Götsch.

A água pode ser plantada. Modelando o terreno, mostrando como pode ser feito com o auxílio das plantas.

Numa floresta natural temos as árvores emergentes, as de grande porte, as de porte médio, os arbustos, as erbáceas e as plantas rasteiras...

 Quais serão os efeitos de ausência de vegetação na paisagem? Erosão hídrica, aquecimento do solo, perda de nutrientes, acidificação, salinização, desertificação...

 Preparando o terreno para plantar (e semear) uma agrofloresta.

 A largura do terreno a preparar deve permitir que possamos trabalhar com um pé em cada lado, para facilitar o maneio.

 As aulas começavam às 7.30 da manhã, antes do nascer do Sol.

Corrigindo o solo ácido com cal.

Preparando o terreno para a sementeira.

A horta da Casa de Darei, onde o curso decorreu.

O espaço que nos foi destinado para transformarmos em agrofloresta
As mãos da Isabel.

Simulando uma agrofloresta. Os ramos de figueira representam as árvores emergentes (as maiores numa floresta).

Modelando o exercício que nos foi apresentado.

Como melhor transformar a actual área de pastos na Quinta de Darei numa agrofloresta produtiva que alimente, igualmente, os animais existentes? Este era o nosso desafio.

Até as filhas do Ernst ajudaram.

Regando a matéria orgânica depois da sementeira e empalhamento, para manter o solo hidratado.
Como se deve meter na terra uma estaca de uva-espim? Inclinada para o lado em que o Sol se põe. Aliás, a regra não se aplica apenas à uva-espim, mas a todas as plantas que se plantam em estaca. Plantas com raízes são colocadas verticalmente.

Ao metermos a planta na terra, devemos pressionar gentilmente o solo de modo a evitar bolsas de ar junto à parte onde nascerão as raízes. Nada de calcar, compactando o solo.

 A Paula e uma figueira.

 Adicionar matéria orgânica ao solo é uma dos componentes essenciais do método agroflorestal. Os paus aqui substituem as pontas de poda que resultam do maneio de uma agrofloresta.
 Numa linha temos as árvores, arbustos e plantas rasteiras. Note-se os molhinhos de paus.

Os Pedros, ao nascer do Sol, colocando os paus no terreno.

O Harald, preparando a bosta de vaca, essencial para o bom desenvolvimento das sementes.

O Ernst prefere a transformação lenta da matéria orgânica (especialmente a madeira) com o auxílio dos fungos basydiomicota, um processo a frio, à biodegradação, que liberta calor.

Semeando a vegetação de base em linhas transversais à linha de árvores e arbustos. Nesta iagem já pode ser visto o empalhamento que cobriu os paus e as zonas de sementeiira entre eles.

A água que cai num solo coberto por floresta é absorvida pelo solo por gradiente negativo, levando com ela sal e metais até ao horizonte C. A água que cai num solo descoberto, ou com vegetação esparsa, acaba por se infiltrar por gravidade, e não transporta com ela nem sal nem metais, provocando a acidificação e/ou salinização do terreno.

Como trabalhar numa bacia hidrográfica? De modo a que a água possa subir pelas encontas acima, quer por capilaridade, quer transportada pelas micorizas, quer através da intensidade de fotossíntese.

Preparando uma sementeira de floresta com nozes, castanhas, bolotas, azeitonas...
A que se deve juntar matéria orgânica, de preferência de um solo florestal, de modo a inocular a sementeira com esporos e hifas de basydiomicota.

Que mais dizer? Fiquei com uma vontade enorme de começar a aplicar os conhecimentos que tive o privilégio de aprender com este homem.
Os meus agradecimentos ao Samuel, Zé Mário e Ana, da Cooperativa O Sítio, por terem organizado o curso e a vinda do Ernst Götsch a Portugal, ao José Manuel e à Clara da Quinta de Derei por nos terem recebido, e a todos os colegas, pela simpatia, companheirismo e conhecimentos que compartilharem connosco.