Paredes em Transição

O movimento Paredes em Transição é uma rede de amigos que vivem na cidade de Paredes, no Norte de Portugal, que partilham a preocupação de que a debilitante dependência em combustíveis baratos de que a nossa sociedade e economia padecem – e que não está a receber a devida atenção dos vários governos, que parecem actuar na premissa de que o petróleo barato e abundante continuará por cá em perpetuidade – possa vir a resultar em graves e imprevisíveis problemas de que a tecnologia não conseguirá livrar-nos, e que poderão afectar muito negativamente o nosso futuro e o dos nossos filhos. Saiba mais no menu Projecto.

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sábado, 4 de dezembro de 2010

Paredes em Transição, Conversa com Rob Hopkins 2

Face a algumas mensagens que nos chegaram e em que algumas pessoas se queixavam sobre o facto de a entrevista ter ocorrido em inglês, faz-se, aqui, um breve resumo traduzido da mesma. 
A primeira questão que colocámos foi-nos enviada pelo João Leitão, de Pombal em Transição, e perguntaba qual era a opinião do Rob Hopkins sobre a possibilidade de um futuro organismo de coordenação nacional em Portugal poder funcionar como incubadora de projectos de empreendedorismo social. 
O Rob lembrou que na generalidade dos casos seria melhor esperar que mais iniciativas apareçam, de modo a que o movimento ganhe momento, para então se criar uma Entidade de coordenação nacional. Por outro lado, noutros casos, um organismo de coordenação nacional poderá estimular o aparecimento de novas iniciativas. Depois passou a explicar que o empreendedorismo social será um tema central no novo livro que está a preparar. Segundo ele, o empreendedorismo social será essencial para que os planos de decrescimento energético possam ser implementados, para a relocalização da economia, para criar novas infra-estruturas locais, emprego e novos modos de vida. A pergunta do João, no entanto, acabou por não ser respondida. 


Em seguida, comentei que em Portugal estamos a viver o nosso próprio “Período Especial” –uma analogia ao “Período Especial” que ocorreu em Cuba, que é o que os cubanos chamaram ao período em que deixaram de receber combustíveis da União Soviética, tendo que readaptar toda a economia a essa nova realidade. No nosso caso, vai ser muito menos dinheiro disponível para tudo e a necessidade de nos adaptarmos a essa realidade. 
Para Rob Hopkins, este é o momento certo para espalharmos a mensagem do movimento Cidades em Transição, e para ela receber o acolhimento que merece. Temos de dar o grande passo e passar das palavras à acção. Criar emprego, modos de vida, comunidades que possam apoiar-se entre si, investir em si mesmas e criar modelos que funcionem e possam apoiar as iniciativas. 


A seguir, face a uma consideração minha de que o movimento Paredes em Transição é, ainda, um grupo de amigos e termos pela frente a árdua tarefa de chegarmos à comunidade e mudarmos o panorama geral, o Rob lembrou que é importante dar o passo para lá do nosso grupo de amigos, e há que ter algumas considerações em conta: é importante o modo como apresentamos a ideia, encontrar uma língua comum, é importante encontrar terreno comum, encontrar os temas certos para chegarmos às pessoas, e termos algo para lhes oferecer. E é importante que em Portugal tenhamos o que ele chama um “cheerful disclaimer”, ou seja, deixar logo bem claro que não temos respostas para tudo – o movimento Cidades em Transição é um convite para que as pessoas se organizem, pensem, sejam criativas e contribuam para se encontrar as respostas para os problemas que já aí estão. 
Finalmente, face ao recente relatório da Agência Internacional de Energia, que reconhece, finalmente, que o pico do petróleo convencional aconteceu em 2006, o Rob confessou que o assunto, assusta, e acrescentou que no dia seguinte à publicação deste relatório o comissário europeu para a energia terá dito que “chegámos ao pico para todo o petróleo” e lembrou os problemas ambientais que serão criados pelo aumento de produção de petróleo não convencional, comentando que se não fosse a recessão, que tem reduzido o consumo, teríamos combustíveis a preços muito mais elevados.

Paredes em Transição, Conversa com Rob Hopkins

No Sábado, 20 de Outubro de 2010, tivemos a oportunidade de contactar com outros elementos do movimento de Transição internacional, reunidos em Edimburgo, na Escócia, como parte de uma série de conversas com membros de grupos de Transição de vários países, via Skype. 
Dentro deste contacto com a Escócia, tivemos a oportunidade de conversar com Rob Hopkins, fundador do movimento de Transição e da Transition Network.
Começámos por dar uma ideia da evolução do movimento de Transição em Portugal, e depois colocámos uma questão que nos foi enviada pelo João Leitão, de Pombal em Transição, sobre a possibilidade de um organismo de coordenação nacional poder funcionar como incubadora para projectos de empreendedorismo social.
O vídeo que se segue apresenta a conversa que se seguiu.

Gravámos a conversa com o programa Call Graph, que permite gravar a parte áudio das comunicações via Skype, mas não a imagem. O nosso colega Vítor Pereira usou uma máquina fotográfica para gravar a imagem.
Tentei sincronizar som e imagem o mais possível, mas o resultado não é o melhor. No entanto, dado o interesse que esta conversa poderá ter para muitos interessados sobre o movimento Cidades em Transição, optámos por a disponibilizar neste blog.
Agradecimentos a Fiona Thompson, da Transition Scotland por nos ter possibilitado esta conversa!

Paredes em Transição, A Talk With Rob Hopkins from leal4580 on Vimeo.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A Palestra com Jacqi Hodgson, em Paredes

E a palestra aconteceu.

A ideia surgiu quando me encontrei com a Jacqi Hodgson, ao fim da tarde da Quarta-feira, 20 de Outubro para prepararmos o workshop para o dia seguinte. A Jacqi tinha a noite de Sexta-feira livre. Eu tinha uma reunião de condomínio. Tínhamos a Quinta e a Sexta-feira para encontrarmos um espaço adequado, construir uma audiência e preparar os conteúdos. Era em cima da hora, e o tempo era escasso. E tínhamos praticamente todo o dia de Quinta e Sexta-feira ocupados pela conferência, e sem acesso a telemóveis.
Na noite dessa Quarta-feira, em casa, comecei a enviar e-mails. Da parte do movimento Paredes em Transição, entre reuniões de condomínio, trabalho, bilhetes para teatro para uma família inteira já comprados, o panorama era desolador. Encontrei o talentoso Sr. Chris Ripley (que construiu uma bela casa usando fardos de palha, em Tábua) na Internet, que colou uma mensagem na rede social Transição e Permacultura Portugal. O João Leitão recebeu a minha mensagem e re-enviou-a para os 1,381membros da mesma rede, de que foi o criador. Eu coloquei uma mensagem neste blog e cruzei os dedos. Era essencial que conseguíssemos pelo menos 15 pessoas, o que considerava o número mínimo para termos massa crítica.
E as respostas começaram a chegar. Na Quinta-feira de manhã, mais uma vista de olhos à minha caixa de correio electrónico e ficava decidido que a palestra iria acontecer. Parecia que teríamos audiência.
Na Quinta-feira por volta da hora do almoço telefonavam-me a anunciar que a Câmara Municipal de Paredes nos permitiria utilizar o auditório na Casa da Cultura - que miraculosamente não estaria a ser utilizado!
O workshop na tarde do dia 21 na GLOCAL 2010 correu muito bem. Ao fim do dia, eu e o Rúben Carminé desdobrava-mo-nos ao telemóvel. Parecia que teríamos as 15 pessoas.
Na Sexta-feira ao fim do dia, eu e a Jacqi chegávamos a Paredes, ainda a tempo de assistir à distribuição dos cabazes do programa PROVE, na Cooperativa Agrícola de Paredes.
Trabalhámos os conteúdos da palestra sem a mais pequena ideia de quantas pessoas apareceriam - 10, 15, 20, 30? - e depois de um jantar à pressa, abalámos para a Casa da Cultura, caminhando com os cartazes, livros, computador, marcadores, máquinas fotográficas...
Tivemos cerca de 30 pessoas (28, para ser mais preciso). A plateia era constituída maioritariamente por paredenses, mas havia gente de Vila Nova de Famalicão, Rio Tinto, Marco de Canaveses, Amarante e Penafiel. O José Pedro, do Marco, teve uma avaria no carro e pagou 25 € a um taxista para o levar a Paredes!

A palestra foi feita comigo a traduzir cada tirada da Jacqi, para aqueles cujo domínio do inglês não era completo. Iria tomar-nos pelo menos mais metade do tempo do que se ela a fizesse sozinha, mas valeu a pena. Para muitos dos presentes, foi a primeira vez que ouviram falar em "Pico do Petróleo".
Também deu para ver a curiosidade que começa a criar-se em Portugal à volta do movimento de Transição.

Não conseguimos fazer o exercício de backcasting como havíamos feito no dia anterior, na Glocal, por causa do tempo, mas ainda chegámos a construir com a audiência os pressupostos e a pintar o futuro desejado para 2030.

No fim da palestra, o Rúben e a Alda, que tinham aparecido com um cabaz de frutos e hortícolas, ainda apresentaram o projecto PROVE Terras do Sousa.

Duas lições a aprender:
1. aproveitar todas as oportunidades que se nos apresentem. Trazer a Jacqi a Paredes a custo zero foi uma oportunidade fenomenal.
2. filmar e fotografar todos estes eventos, para poder partilhá-los com a comunidade. Eu tinha levado máquina fotográfica, mas estava tão concentrado em ouvir o discurso da Jacqi, para o traduzir em seguida, que me esqueci completamente de tirar fotografias. As que aparecem, acima, foram tiradas pela própria Jacqi e pela Patrícia Costa Neto, de rio Tinto.

Nesta palestra foram perdidos um telemóvel e a chave de um automóvel Opel. Se alguém souber de alguma coisa, faça o favor de mo dizer!

sábado, 30 de outubro de 2010

Decisões pessoais que mudarão o Mundo

Ainda sobre a conferência Glocal 2010.
No final do workshop sobre o movimento Cidades em Transição, foi entregue um post-it a cada um dos presentes, a quem a Jacqi Hodgson pediu que formulasse uma decisão que ajudasse a tornar o planeta mais sustentável. Os post-its foram afixados na parede, junto aos posters, para todos verem.
Apareceram muitas decisões semelhantes, como consumir produtos locais, andar mais a pé e iniciar um movimento de Transição, o que é excelente!

Estas foram as decisões que mudarão o Mundo:

  • Dar preferência a produtos certificados
  • Ter a minha própria horta
  • Formar uma rede de troca de produtos produzidos em casa
  • Consumir menos carne e peixe
  • Iniciar um centro de treino de competências, de forma a contribuir para a troca de informação, experiência e ideias entre a população de Vila Nova de Gaia
  • Viver, trabalhar, comer, deslocar-me mais local e responsavelmente
  • Não vou desistir de caminhar para a sustentabilidade, pelo amor que tenho aos meus filhos
  • Vou falar com os meus amigos sobre o workshop de hoje
  • Desenvolver um projecto de melhoria ambiental na instituição onde trabalho, envolvendo a participação de todos
  • Organizar um grupo para iniciar um movimento de Transição
  • Consumir alimentos locais
  • Não usar tantas coisas
  • Partilhar
  • Aprender e ensinar
  • Valorizar a agricultura sustentável
  • Ajudar a divulgar o movimento Cidades em Transição
  • Participar em mais conferências e workshops sobre o tema das Cidades em Transição
  • Plantar bolotas
  • Compostagem em casa
  • Ter em conta o factor “sazonalidade” na minha alimentação
  • Evitar andar de avião
  • Compostagem caseira na minha urbanização
  • Colocar painéis solares
  • Ecomorfose (deve ter sido o Ricardo ;)
  • Sensibilização
  • Boicotar supermercados e hipermercados
  • Consumir produtos nacionais
  • Reutilizar tudo o que seja reutilizável
  • Trocar
  • Andar a pé
  • Andar d bicicleta
  • Voluntariar
  • Deixar de ligar a Modas
  • Ajudar uma aldeia em processo d desertificação a efectuar a Transição e ir para lá viver
  • Transmitir a mensagem com confiança, boa vontade e mobilizar amigos e colegas de trabalho para agir
  • Trabalhar num sistema de indicadores ecológicos para espaços urbanos
  • Implementar um projecto de Transição no meu local de trabalho

Ainda houve estas 3 decisões, expressas num aspecto mais gráfico:


Alguém devia ajudar a pessoa da esquerda!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

GLOCAL 2010. Exercício de backcasting

Uma observação que me esqueci de colocar na mensagem anterior: a afluência ao workshop sobre o movimento de Transição, que teve lugar durante as sessões paralelas da tarde do dia 21, na GLOCAL 2010, foi verdadeiramente surpreendente, tendo quase atingido o dobro do número inicialmente esperado. Foi, de longe, a sessão mais participada da tarde e isto diz muito sobre o interesse que o tema da Transição está a despertar no nosso país.


Sobre o exercício de backcasting realizado nessa tarde:

O Energy Descent Action Plan (EDAP), ou Plano de Acção para o Decrescimento Energético de Totnes (PADE), que foi coordenado pela Jacqi Hodgson, teve por base um longo e detalhado exercício de backcasting – um conceito desenvolvido nos anos 70 pelo americano Amory Lovins – que consiste em imaginarmos o futuro que desejamos viver e identificar os passos que teremos que dar para lá chegarmos. Assim, tendo estabelecido os objectivos a atingir no ano de, por exemplo, 2030, teremos que identificar as várias etapas que terão que ser ultrapassadas nos anos anteriores (por ex: 2025, 2020 e 2015) para atingirmos esses objectivos. E há que começar, claro está, no presente.

Ora para criarmos um futuro, é essencial que tenhamos uma ideia bastante razoável do que queremos que ele seja e de quais as condições com que teremos de trabalhar, ou seja, quais as alterações que poderão ser esperadas face às condições actuais: qual deverá ser a população mundial em 2030? Como será o crescimento económico? Como estará o custo das energias? Etc., etc. etc...

Os pressupostos adiantados pela assistência foram os seguintes:

  • A população da Terra será mais numerosa
  • A energia será muito mais cara
  • Decrescimento económico
  • Os efeitos das alterações climáticas fazem-se sentir com maior intensidade
  • Haverá menos alimentos disponíveis
  • Uso racionado dos transportes

Com os pressupostos identificados, fizemos, então, um exercício de visualização, em que cada um de nós imaginou o futuro que deseja para si. A Jacqi convidou-nos a fechar os olhos e a imaginar que acordamos em 2030. Observemos o mundo à nossa volta: como é a interacção entre as pessoas? Como são as habitações, os edifícios, a paisagem… como são as vias de mobilidade e como se efectua a própria mobilidade? O que comemos, como é o panorama ambiental... que sons ouvimos, que cores vemos…

Este é o futuro como queremos que ele venha a ser, e o ponto de partida para a elaboração do Plano de Decrescimento Energético.

Pedimos, então, à assistência para se distribuir em grupos de 6 pessoas e construir o cenário desejado para 2030 e identificar os vários passos para lá se chegar. Dado o pouco tempo disponível, decidimos que nos iríamos debruçar unicamente sobre a alimentação, um dos componentes fundamentais de qualquer EDAP.



Cada grupo elegeu uma pessoa para registar as conclusões nos posters que havíamos afixado nas paredes, e à volta dos quais novas soluções começavam a germinar.


O cenário desejado pela assistência para 2030 foi este:

  • 80 % dos alimentos que consumimos são produzidos em Portugal;
  • Consumimos uma alimentação mais natural, constituída por produtos locais e na época;
  • Novas receitas valorizam estes produtos;
  • A produção local de proximidade é extremamente valorizada pelo consumidor;
  • Os produtos de agricultura biológica são, agora, muito mais baratos do que eram em 2010;
  • Os modos de produção agrícola são sustentáveis, independentes de produtos químicos e de combustíveis fósseis;
  • Foram introduzidas alterações importantes face à dieta que tínhamos em 2010, que incluem um menor consumo de carne e refeições menos abundantes, por opção;
  • Pré-cozinhados e fast-food são quase uma coisa do passado
  • Há mais espaços públicos, repletos de árvores de fruto;
  • Assistiu-se a uma espécie de regresso às origens com imensas pessoas a cultivarem parte do que consomem em hortas domésticas. Hortas comunitárias proporcionam um espaço para os que não têm terreno próprio poderem cultivar;
  • Muitos edifícios têm hortas nos telhados;
  • As pessoas trocam produtos alimentares entre si, muitas vezes em feiras realizadas com esse objectivo;
  • Sistemas agro-florestais permitem produzir alimentos com muito pouco esforço;
  • Refeições comunitárias incentivam a aproximação entre vizinhos, a variedade na dieta e solidariedade entre cidadãos;
  • A água é gerida de uma maneira muito mais eficiente, sendo, muitas vezes, reutilizada
  • Menos desperdício;
  • Produção de carne a nível local;
  • Produtores de agricultura industrial pagam o valor justo pelos serviços que lhes são prestados pela natureza
  • Já existem alimentos disponíveis no mercado sob a forma de pílulas ou pastilhas.





Estes são os passos que a audiência entendeu que deverão ser dados até 2025 para se chegar ao cenário traçado para 2030:

  • Concretização de um novo modelo produtivo agrícola de proximidade;
  • Cidadãos assumem preferência por produtos nacionais ou mesmo locais e biológicos. A inclusão destes alimentos na dieta é vista como um melhoramento na qualidade de vida;
  • Reaproveitamento de águas domésticas;
  • Criar uma taxa elevada sobre a importação de alimentos e incentivos à venda dos produtos nacionais no país;
  • Informação nos menus dos restaurantes deve conter dados como origem biológica (ou não) e quilómetros percorridos pelos ingredientes;
  • Hortas colectivas, mercados de trocas de produtos
  • Redes de distribuição flexíveis, com mercados com horários alargados fomentando o comércio de proximidade;
  • “Cidades agrícolas” – anéis agrícolas em torno das cidades permitem abastecê-las de produtos frescos e de qualidade;
  • Biotecnologia ao serviço da produção e transformação de alimentos

2020:

  • Maior articulação entre decisores políticos e a sociedade civil;
  • Adopção de técnicas de cultivo alternativas;
  • Novos modelos de organização espacial com reconversão de terrenos para o uso agrícola;
  • Rótulos com a “Pegada Ecológica” nos alimentos;
  • Cooperativismo;
  • Qualificação e disseminação regional de conhecimentos com ênfase na sustentabilidade;
  • Estabelecimento de vias de distribuição para os alimentos alternativas;

2015:

  • Choque!
  • Recuperação e difusão de técnicas e práticas agrícolas e pecuárias sustentáveis;
  • Recolha de sementes tradicionais;
  • Valorização da agricultura local;
  • Boicote aos supermercados;
  • Grandes produtores são obrigados a compensar aqueles que são afectados pelas externalidades resultantes da sua actividade;
  • Promoção da entreajuda;
  • Moratória de 15 anos à pesca do bacalhau;
  • Planeamento agro-consciente das cidades;
  • Fim de subsídios perversos.

E hoje, 2010:

  • Alerta!
  • Formação, sensibilização e educação, para modos de vida e alimentação saudáveis, incluindo professores que passarão erra informação aos seus alunos;
  • A produção biológica de alimentos faz parte dos curricula escolares;
  • Alteração dos hábitos de consumo, com preferência por produtos naturais nacionais;
  • Directórios de comida local;
  • Criação de bancos de sementes;
  • Campanha pela disseminação de árvores de frutos secos por todo o país;
  • Mobilização dos líderes de opinião;
  • Autarquias disponibilizam terrenos para criação de hortas comunitárias;
  • Quadro legislativo adaptado à produção local de alimentos, incluindo a alteração das políticas de uso dos solos e o financiamento a agricultores para incentivar a produção nacional;
  • Formação e informação sobre o movimento de Transição.


sábado, 23 de outubro de 2010

Jacqi Hodgson no GLOCAL 2010

Na Quinta-feira passada, 21 de Outubro, tive a oportunidade de apresentar, juntamente com a Jacqi Hodgson, coordenadora do projecto de decrescimento energético da cidade de Totnes, e autora do livro "Transition in Action: Totnes and District 2030. An Energy Descent Plan", uma palestra subordinada ao tema do movimento de Transição, em que também se falou do caso Paredes em Transição, em Portugal.
Esta palestra foi parte da a conferência GLOCAL 2010, organizada pela Câmara Municipal de Cascais e a Universidade Católica, e decorreu entre 20 e 22 de Outubro, nas instalações da LIPOR, em Ermesinde.
De notar que, na manhã do mesmo dia, o Luís Queirós, o autor do blog "Transição", apresentou o programa Rio Vivo, um movimento de Transição na aldeia de São Pedro de Rio Seco, no concelho de Almeida, de onde é natural, e de que é co-fundador.


A Jacqi tinha preparado uma apresentação adaptada ao caso português, em que a percepção das pessoas face ao problema do pico do petróleo é bem menor do que, por exemplo, no Reino Unido, de modo que, no início, esse tema foi bem abordado, passando então ao problema das alterações climáticas e tocando, em seguida e ao de leve, a contracção económica que se espera que venha a acontecer. Terminou esta fase da apresentação mencionando que o Modelo de Transição é a resposta lógica a estes problemas, encarando-os simultâneamente, iniciando um programa de relocalização da economia, decrescimento energético e reconstrução das resiliências locais.

Foi, então, apresentado o caso da cidade de Totnes (ou Transition Town Totnes, como agora é mais conhecida :-), mencionando-se os vários grupos de trabalho que foram constituídos, e apresentados alguns dos projectos com maior impacto na comunidade, como o lançamento de uma moeda local, as histórias da Transição (Transition Tales), o directório dos produtores de alimentos locais e as Ruas em Transição (Transition Streets).

Coube-me a mim, então, apresentar a nossa experiência com a criação do movimento Paredes em Transição, e o nosso colega Rúben subiu, então ao palco para apresentar o projecto Prove Terras do Sousa.

Esta palestra terminou com a realização de um curto exercício de criação de um plano de decrescimento energético, em que a assistência participou activamente. Este exercício será o tema do próximo artigo neste blog.



No momento da despedida, foi pedido a cada pessoa que formulasse um voto de modificar ou introduzir algo nas suas vidas que contribuísse para a sustentabilidade do Planeta, que o escrevesse num post-it, e que o partilhasse com todos, afixando-o na parede.


quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Jacqi Hodgson, da Transition Network em Paredes na Sexta-feira à noite

A palestra vai mesmo acontecer!

Casa da Cultura de Paredes às 9:30 pm.

Algumas informações sobre como chegar lá:

Quem vier de carro, o melhor é sair em Paredes e na Rotunda virar à direita. Passam mais uma rotunda, continuam a descer e viram à esquerda na Rua Infante D. Henrique. A Casa da Cultura fica um pouco depois do primeiro cruzamento (atenção ao STOP!), do lado direito.
Junto um mapa para facilitar a navegação.
Tenham uma boa viagem, cá os esperamos.
Miguel Leal e o Movimento Paredes em Transição

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Jacqi Hodgson, da Transition Network em Paredes na Sexta-feira à noite

URGENTE!!!!
Caríssimos, temos a hipótese de termos a Jacqi Hodgson, da Transition Network, autora do livro "‘Transition in Action: Totnes and District 2030. An Energy Descent Plan" em Paredes na Sexta-feira à noite, para fazer uma palestra sobre o Movimento de Cidades em Transição sem custos para a audiência. É uma oportunidade única que seria uma pena perdermos.
É muito em cima da hora, mas ainda dá para organizar se tivermos assistência. Preciso de saber quem, entre nós, estaria interessado em vir, e se conseguiriam trazer outras pessoas com vocês. Se tivermos pelo menos umas 15 pessoas, organizo a coisa.
João, colocas uma mensagem no Ning?
Mais informações sobre local mais à frente.
Um abraço de transição,
Miguel

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

1.º Curso de Iniciativas de Transição, Pombal, 16 e 17 de Outubro de 2010

Este fim-de-semana desloquei-me à bela cidade de Pombal para frequentar o que foi o 1.º Curso de Iniciativas de Transição em Portugal, organizado pelos nossos colegas do movimento Pombal em Transição.
O curso foi dinamizado por May East, da eco-aldeia de Findhorn, na Escócia, e por Mandy Dean, do movimento de Transição de Bro Ddyfi, no País de Gales. Não poderia ter corrido melhor. As dinamizadores foram excelentes, o conteúdo foi excelente, as instalações, na Junta de Freguesia de Pombal, excelentes, a organização excelente, e o mesmo com os participantes, que chegaram de todo o país. Não ficou uma única vaga por preencher.
Talvez o melhor deste curso tenha sido mesmo a comunidade que se iniciou ali, com gente interessada em criar iniciativas de transição nas suas vilas, aldeias, cidades, e dar início à transição do Portugal que temos para um Portugal mais resiliente, solidário e positivo. Foi um fim-de-semana de trabalho, sim, mas também de muita satisfação, e do qual saí muito enriquecido.
Gostaria de agradecer o convite aos colegas do Pombal em Transição e ao João Leitão, em particular.


O João Leitão, do movimento Pombal em Transição deu início aos trabalhos.




Confraternização ao fim do primeiro dia, na escadaria da igreja, no Largo Marquês de Pombal.



No final do exercício de Espaço Aberto.


Exercício de back-casting.



No final, cada um partilhou as suas impressões sobre o evento, e sobre as perpectivas do futuro que daqui pode germinar. O Ricardo foi o Maior!

sábado, 17 de julho de 2010

In Transition 1.0

Para todos os interessados em conhecer melhor o movimento de Transição. Um documentário a não perder. Assistam e partilhem com os amigos.

In Transition 1.0 from Transition Towns on Vimeo.

quarta-feira, 14 de julho de 2010