Paredes em Transição

O movimento Paredes em Transição é uma rede de amigos que vivem na cidade de Paredes, no Norte de Portugal, que partilham a preocupação de que a debilitante dependência em combustíveis baratos de que a nossa sociedade e economia padecem – e que não está a receber a devida atenção dos vários governos, que parecem actuar na premissa de que o petróleo barato e abundante continuará por cá em perpetuidade – possa vir a resultar em graves e imprevisíveis problemas de que a tecnologia não conseguirá livrar-nos, e que poderão afectar muito negativamente o nosso futuro e o dos nossos filhos. Saiba mais no menu Projecto.

Mostrar mensagens com a etiqueta Ecomorfose. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ecomorfose. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Primeira Feira de Agricultores e Produtores Locais de Paredes

Este artigo foi publicado no jornal O Verdadeiro Olhar, em Paredes, no dia 8 de Outubro de 2010.


Já agora... não acreditem no título! Trata-se de uma estória de transição (mais sobre estórias de transição - em inglês - pode ser encontrado aqui)



7 de Outubro de 2011


Primeira Feira de Agricultores e Produtores Locais de Paredes



Realizou-se, no passado Sábado, a primeira Feira de Agricultores e Produtores Locais de Paredes. O evento, que decorreu no Parque da Cidade, reuniu 23 agricultores e produtores locais e centenas de fregueses que, ao final da manhã, pouco deixaram nas bancas.

A feira franca foi organizada pelo movimento Paredes em Transição, com o apoio da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia de Castelões de Cepeda. Ruben Carminé, um dos organizadores, mostrou-se surpreendido com a elevada afluência. “Para a pouca publicidade que fizemos, e para um primeiro evento, o número de pessoas que apareceu é verdadeiramente surpreendente”.

Segundo este jovem agricultor de 36 anos, o objectivo da feira é incentivar a população a consumir localmente, estimulando-se, assim, a produção local. “Não faz sentido entrarmos num hipermercado e encontrar-mos frutas e legumes que chegam da Espanha, da Argentina, de Israel, e praticamente nada ou quase nada de produção nacional. Para além disso, esses produtos viajam centenas ou milhares de quilómetros e, em regra, chegam-nos ao prato dias e dias após terem sido colhidos. Grande parte do valor nutritivo do alimento já se perdeu. Aqui temos produtos de qualidade, produzidos localmente. Na maioria dos casos, o produto foi colhido do campo hoje mesmo!”

A feira foi inaugurada pelo Presidente da Câmara de Paredes. Celso Ferreira, visivelmente bem disposto, podia ser visto a conversar com os agricultores, e não deixou de comprar alguns dos produtos à venda.

Segundo o autarca, esta experiência, apoiada desde o primeiro minuto pelo Município, deverá gerar orientações que guiarão a realização de futuros eventos deste género, neste e noutros locais do município.

“Esta é uma iniciativa que fazia falta em Paredes. É uma excelente maneira de incentivarmos a produção local, de fortalecermos a economia paredense. Gera-se aqui dinheiro que vai ser reinvestido no município. É também mais um passo na direcção da sustentabilidade de Paredes e uma iniciativa que dignifica a actividade agrícola. Especialmente a do pequeno agricultor. Queremos replicá-la.

Para João Acelga, de Mouriz, agricultor a meio-tempo, que a meio da manhã já tinha a banca praticamente vazia, a feira de produtores locais só traz benefícios. Se houver mais feiras destas, é um incentivo para o agricultor produzir, pois sabe que consegue escoar a produção. Vender nas grandes superfícies é só para alguns. O agricultor nas horas vagas tem dificuldade em vender. Muitas vezes acabamos por distribuir o que produzimos pela família, pelos vizinhos… muitas vezes alguma da fruta até acaba por se estragar na árvore. E com os tempos que correm...”

A actual situação económica é o que preocupa Adelina Rato, de 55 anos, reformada prematuramente. “A vida está muito difícil. Nesta situação é bom a gente poder comprar directamente ao agricultor. É bom para nós e é bom para o agricultor”.

Neste mercado alternativo foram, ainda, apresentados alguns produtos de agricultura biológica. Marta Dias, mãe de duas crianças em idade escolar, não escondia a sua satisfação face à diversidade de produtos. “Isto é fantástico. Estou a comprar todos estes vegetais biológicos a um preço que pouco supera os convencionais!

Ao fim da manhã, para Ruben Carminé e outros cidadãos envolvidos no movimento Paredes em Transição, é tempo de fazer um balanço do projecto. “Correu muito bem. Correu até melhor do que esperávamos. Para bem, passaríamos a ter uma feira destas todos os meses. Já estamos em Transição!”


João Dinis Lapiseiro

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Ecomorfose

Nesta época em que diariamente aparecem milhentos novos projectos na Internet, confesso que poucos me cativaram como este que aqui partilho convosco.

O Ecomorfose - é assim que se intitula - encantou-me pela sua filosofia, pela simplicidade, e pela ausência de proselitismo, muito comum em projectos de activismo ambiental ou social.

Em perfeita sintonia com o conceito de transição, esta página é um registo dos passos que o autor tem tomado no sentido de reduzir a sua pegada ecológica. Como ele diz: "Ecomorfose é a revolução eminente que irá voltar novamente as pessoas para as suas comunidades, para o respeito pela natureza, para a resiliência e sustentabilidade, para a produção local, para a independência de governos e indústrias e para a disponibilidade em ajudar outras pessoas e o ambiente". No fundo, um processo de transição pessoal.



Ecomorfose é obra de Ricardo Marques, presidente do Núcleo do Porto da Quercus, e mais do que um repositório de experiências, é um compromisso do autor de viver de acordo com os princípios em que acredita e advoga, mostrando-nos que não é assim tão difícil nem oneroso reduzirmos a nossa pegada ecológica.

Como diz o Ricardo, "Este é um local de ensaio e partilha de soluções. Não é um regresso ao passado, é usar o que de melhor se fazia, misturar com o melhor que se faz no presente para construir um futuro melhor".

Nas várias secções do site, o Ricardo explica-nos sucintamente como poderemos construir uma sistema solar térmico caseiro para aquecer água, como plantar vegetais na varanda, ou construir um lago que aumentará a biodiversidade de espécies num quintal, por menos de 100 Euros.

Todos somos convidados a participar. A frase "a inércia é uma arma de destruição massiça" faz todo o sentido.