Paredes em Transição

O movimento Paredes em Transição é uma rede de amigos que vivem na cidade de Paredes, no Norte de Portugal, que partilham a preocupação de que a debilitante dependência em combustíveis baratos de que a nossa sociedade e economia padecem – e que não está a receber a devida atenção dos vários governos, que parecem actuar na premissa de que o petróleo barato e abundante continuará por cá em perpetuidade – possa vir a resultar em graves e imprevisíveis problemas de que a tecnologia não conseguirá livrar-nos, e que poderão afectar muito negativamente o nosso futuro e o dos nossos filhos. Saiba mais no menu Projecto.

domingo, 30 de janeiro de 2011

E foi assim...

E foi assim a nossa exibição do filme "Home. O Mundo é a Nossa Casa":


Apesar de ser noite de futebol, e de um evento em simultâneo no salão paroquial - que costuma ter records de comparência - apareceram 88 pessoas para a exibição do filme, e 20 crianças participaram no evento paralelo que lhes foi dedicado, na sala multimédia da Casa da Cultura.

Arrancámos com uma breve apresentação do movimento "Paredes em Transição", que inclui a exibição do vídeo que a nossa colega Vanda Lopes fez.

O público inter-agiu bastante bem.


Houve boa disposição...


O Rúben também fez uma curta apresentação do projecto PROVE Terras do Sousa. Mais clientes?


E no fim a Tila reuniu os questionários que tínhamos distribuído pelos presentes, tendo recolhido um conjunto apreciável de contactos de pessoas que gostariam de saber mais sobre o movimento.

Estamos a preparar uma apresentação formal do movimento. Fiquem antentos!


Um abraço especial aos colegas de Portalegre, que exibiram o mesmo filme no mesmo dia.


Gostaríamos de deixar os nossos agradecimentos aos produtores do filme Home, à ZON-Lusomundo, distribuidora em Portugal, e à Câmara Municipal de Paredes, por nos ter cedido as instalações da Casa da Cultura e pelo apoio que nos deu na divulgação deste evento.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Paredes em Transição 2010 - O Vídeo

E finalmente temos o nosso vídeo, feito pela nossa colega Arquitecta Paisagista Vanda Lopes: um apanhado das várias actividades que levámos a cabo em 2010 (e início de 2011), e que incluíram a confecção de doces e compota, pão, lacticínios, sabão a partir de óleo alimentar usado e ainda as actividades relacionadas com a produção de alimentos, como as hortas nas varandas, permablitzen (ou hortas-relâmpago), uma horta em espaço confinado, segundo princípios da permacultura... 
Espero que gostem do vídeo tanto quanto eu gostei, com certeza não tanto quanto nós gostámos de fazer o que aqui mostramos, e quem sabe, pode servir de inspiração a alguém...



Paredes em Transição 2010 - from leal4580 on Vimeo.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Temos todos encontro com o planeta!

Está tudo pronto para a exibição do filme "Home. O Mundo é a Nossa Casa". Estivemos hoje ao fim do dia na Casa da Cultura de Paredes para testar o equipamento, quer no auditório, onde o filme vai ser exibido, quer na sala multimédia, onde vai decorrer o evento paralelo para as crianças e já calibramos o projector, som, etc...
Portanto, não se esqueçam! Sábado, às 21:00h na Casa da Cultura de Paredes... temos todos encontro com o planeta!



segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Espiral de Ervas Aromáticas - 3 Meses Depois

Os dois artigos (aqui e aqui) em que mostrámos o processo de construção da espiral de ervas aromáticas na Quinta da Gruta, na Maia, têm sido dos mais visitados neste blog. Assim sendo, penso que muitos gostarão de ver o resultado, passados que são três meses. Aqui fica o vídeo, com agradecimentos ao Ricardo Marques e ao Núcleo do Porto da Quercus.

espiral de ervas -  3 meses depois from Quercus Porto on Vimeo.

Convite para a Exibição do Filme "Home"

Convidamos todos a virem juntar-se-nos na Casa da Cultura de Paredes, pelas 21:00 horas, para a exibição do  do Filme "Home. O Mundo é a Nossa Casa".
Agradecemos à equipa da Casa da Cultura de Paredes todo o apoio que nos tem prestado na organização deste evento, inclusivamente na concepção deste convite
que estamos a distribuir aos Paredenses, e que aqui partilhamos:


domingo, 23 de janeiro de 2011

De novo com Sepp Holzer

Finalmente encontra-se disponível em vídeo a palestra que Sepp Holzer deu no Fórum da Maia no dia 5 de Dezembro, e que o Núcleo do Porto da Quercus, que organizou o evento, amavelmente disponibilizou no Vimeo.
Foi um mais um momento marcante para o desenvolvimento da permacultura em Portugal, que vários elementos do movimento Paredes em Transição não deixaram passar em branco.
A quem não esteve lá, recomenda-se que assista ao vídeo, que deu uma grande trabalheira ao Zé Pedro Pinto a montar. É um bom investimento de tempo. Eu, que lá estive, não vou deixar de voltar a ver.
Mais uma vez fica um agradecimento ao Núcleo do Porto da Quercus e a Tamera por nos terem proporcionado a oportunidade de escutar em Portugal a voz deste Grande Homem, um verdadeiro visionário cujas palavras deveriam ser tidas em conta por governos em todo o Mundo.



SEPP HOLZER - Portugal: Paraíso ou Deserto? - PALESTRA from Quercus Porto on Vimeo.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Faça o seu Iogurte. Fácil, Fácil, Fácil

Dei hoje conta que me tinha esquecido de incluir uma imagem (em que se adiciona o iogurte ao leite aquecido) na sequência, de modo que repesquei este artigo de 15 de Janeiro.


Quase se pode dizer que cá em casa consumimos mais iogurte do que leite. A coisa anda lá perto e as razões são várias. Para além de possuir cerca de 20% mais proteínas do que o leite que lhe deu origem, o iogurte é um dos melhores e mais saudáveis alimentos à nossa disposição. Parte das suas qualidades radica nas bactérias Lactobacillus bulgaricus e Streptococcus termophilus que existem no iogurte, pelo que quanto mais fresco, melhor (o que eu quero dizer aqui é que o iogurte acabado de fazer em nossas casas é de melhor qualidade que o que compramos no super-mercado). Convido-vos a investigarem um pouco mais sobre este maravilhoso alimento.
Bom, voltando a casa, o nosso consumo diário de iogurte mede-se em litros! Já me me perguntaram várias vezes como fazemos o nosso iogurte. Embaraçado, tinha que admitir que o segredo do nosso sucesso era um aparelhómetro que cá temos chamado Bimby. Um dia recebi um e-mail de uma pessoa que me perguntou como poderia fazer o seu iogurte. Presumindo eu que essa pessoa não tivesse em casa o dito aparelhómetro chamado Bimby, vi-me forçado a puxar pela cabeça para imaginar um método que possa ser usado rápida e facilmente em qualquer casa portuguesa. Partindo do princípio que a esmagadora maioria das habitações portuguesas conta com um micro-ondas, aqui vai. É fácil, fácil, fácil:

       
1. Deitar o leite num frasco de vidro com cerca de um litro de capacidade. Deixar espaço para o iogurte que teremos que adicionar, bem como um espaço vazio para se poder homogeneizar a mistura, ao agitar o frasco. No nosso caso, usamos um pouco menos de um litro de leite.


2. Aquecer no micro-ondas durante cerca de 3 minutos (a temperatura pretendida andará à volta dos 60ºC, talvez um pouco menos). Como o vidro poderá aquecer bastante, recomenda-se cautela ao retirar o frasco.


3. Juntar um iogurte (ou uma quantidade de iogurte da "fornada" anterior). Esta imagem poderia até substituir a imagem com o produto final.

4. Vedar com a rolha e agitar de modo durante alguns segundos, para homogeneizar a mistura.

5. Depois de homogeneizado, abafar com uma manta de forro polar, cobertor, ou com o que quer que seja que impeça que o conteúdo do frasco arrefeça rapidamente (eu faço uma trouxa usando dois blusões de forro polar que costumava levar para a montanha). Depois é só esperar cerca de 8 horas e temos o iogurte pronto para ser consumido.


Em nossa casa, este processo é feito à noite, antes de deitar, e repetido de manhã, antes de sair de casa. Produzimos cerca de dois litros por dia. Deve-se resistir à tentação de usar o mesmo frasco de manhã, pois o iogurte acabará por sair com um sabor mais acre, que não é muito desejável.


Uma dica: descobri que gosto mais da textura que o iogurte adquire depois de ter esfriado no frigorífico.

Nota: há dias perguntaram-me se eu usava flor de iogurte, ou kefir, mas não. Uso iogurte normal, se bem que o que até à data me proporcionou mais satisfação foi o iogurte grego, que se vende sob as marcas Continente e Danone.
Já agora, se alguém tiver uns grãos de kefir a mais que me possa ceder, ficarei muito agradecido.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A bicicleta em vez do automóvel ...

Não costumamos reproduzir conteúdos de outros blogs, mas este texto que o meu amigo Paulo Guerra dos Santos colocou no blog 100 dias de bicicleta em Portugal agradou-me sobremaneira...

A bicicleta em vez do automóvel ...


Para os ignorantes que arranjam desculpas a justificarem-se por serem pobres e pouco desenvolvidos, e que tentam gozar com quem utiliza a bicicleta em vez do automóvel para se deslocar, aqui vai o texto para lhes responder à letra:

1º Agradecer-lhes por utilizarem o automóvel diariamente. Assim, contribuiem com muito mais impostos para que os 230 deputados, mais ministros, seretários e sub-secretários de estado ganhem a vida. Como sabem, em Portugal, 60% do preço por litro de combustível vai directamente para o estado, em impostos. Acrescentar a isso que quase metade do preço de um carro novo é imposto.

2º Que por mês, quem utiliza a bicicleta poupará cerca de 200€ por não utilizar o automóvel, entre combustível, desgaste do carro e estacionamento.

3º Escusam de gastar dinheiro e tempo em ginásios, só para manter a forma. De acordo com dados do Ministério da Saúde, 50% dos portugueses têm gordura a mais no corpo. Certamente que muitos deles serão orgulhosos automobilistas que se fazem deslocar todos os dias ... quietinhos no assento do seu automóvel.


4º Nos países ricos e desenvolvidos (entenda-se: países com pessoas ricas e desenvolvidas) como a Holanda, a Dinamarca, a Alemanha, a Suécia, a Finlândia e até mesmo aqui ao lado em Espanha, a bicicleta é utilizada como meio de transporte por muita gente rica e desenvolvida, coisa que naturalmente muitos dos que utilizam o automóvel diariamente não serão, comparativamente com os povos dos países acima referidos.

5º Que se vive mais intensamente o caminho de casa para o trabalho, interagindo com o meio envolvente, parando quando e onde se quer, encontrando pessoas conhecidas e até, imagine-se, chegar por vezes mais depressa ao nosso destino, sem termos que nos deslocar enfiados numa lata com uma tonelada, rodeado num pára-arranca por pessoas enfiadas noutras latas semelhantes, e ainda pagar (e bem) por isso.

6º De acordo com dados médicos, sabem o que se diz de ciclistas, maratonistas e outros desportistas sobre o seu desempenho sexual? Certamente que devem imaginar ...

7º Na vida há coisas bem mais importantes do que a estupidez e a ignorância, e que, em vez de se gastar 20 a 30% do nosso ordenado a viajar de automóvel todos os dias para o trabalho, é sem dúvida bem melhor viajar algumas vezes no ano de avião e visitar os países com pessoas ricas e desenvolvidas. Pode ser que assim se aprenda qualquer coisa e se evolua.

8ª Que é muito bom estar-se nas tintas para a ignorância dos outros, no que respeita a mobilidade, modos suaves de transporte e qualidade de vida no centro das nossas cidades.

Atentamente.

- Paulo Guerra dos Santos
- Utilizador de bicicleta como meio de transporte diário, na capital de um país com gente pobre e pouco desenvolvida.
- Mestre em Vias de Comunicação e Transportes
- Professor, Formador e Engenheiro Civil

AH! Permacultura em Telheiras!

Dos colegas de Telheiras:

ENCONTRO SOBRE PERMACULTURA, 26 JANEIRO, 4ª feira, 21h00

BIBLIOTECA MUNICIPAL ORLANDO RIBEIRO, TELHEIRAS - LISBOA

A Iniciativa de Transição em Telheiras – um projecto emergente de moradores do bairro cujos objectivos são sensibilizar a comunidade local para temas como a dependência energética, o pico do petróleo e a permacultura e implementar um plano de transição para um bairro mais sustentável e resiliente – convida a uma noite de partilha sobre Permacultura, conceito que apoia o planeamento de sistemas de escala humana (jardins, vilas, aldeias, comunidades e cidades) ambientalmente sustentáveis, energeticamente resilientes, socialmente justos e financeiramente viáveis.


Sabem tudo sobre permacultura? Venham partilhar.
Não sabem nada sobre permacultura? Venham perguntar!

Próxima 4ª feira, a partir das 21h00 estamos todos convidados para uma noite de partilha sobre permacultura, uma iniciativa conjunta da Iniciativa de Transição em Telheiras, a Associação de Valorização Ambiental da Alta de Lisboa (AVAAL) e de um grupo de biólogos da Faculdade de Ciências.
O evento contará com a presença do biólogo David Avelar da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa que explorará de forma simplificada o conceito de permacultura , o biólogo Tiago Silva que partilhará exemplos de aplicação prática, e também a presença do arquitecto Jorge Cancela, da Associação para a Valorização Ambiental da Alta de Lisboa, que apresentará um projecto para esta área da cidade.


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Quinta dos Encantos

Um conceito inovador de infantário, este criado pela Celeste Fernandes,  nossa colega de curso de Iniciativas de Transição. Chama-se Infantário Quinta dos Encantos e fica em Tomar. Agrada-me especialmente que as crianças possam interagir com a natureza numa base diária, aprender a produzir alimentos e sujar-se à vontade, que é o que eu mais gostava de fazer quando tinha a idade deles. Acho o pormenor dos gnomos fantástico! ;-)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Home Again

Aqui fica o trailer do documentário "Home. O Mundo é a Nossa Casa" que exibiremos no Sábado, 29 de Janeiro, na Casa da Cultura de Paredes:


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Exibição do filme Home. O Mundo é a Nossa Casa

Em Paredes e em Portalegre

Caros amigos,
Vivemos tempos extraordinários. A Terra, o planeta que é a nossa casa, está em dificuldades e a responsabilidade é nossa. Resta-nos pouco tempo para mudarmos o modo como vivemos e contrariarmos esta caminhada para o abismo.
O movimento Paredes em Transição convida-vos a virem juntar-se a nós na Casa da Cultura de Paredes, no dia 29 de Janeiro pelas 21:00 horas, para assistir à exibição do filme Home – o Mundo é a Nossa Casa.

Realizado pelo fotógrafo francês Yann Arthus-Bertrand, famoso pelas suas marcantes imagens do Planeta visto do céu, Home é um dos mais aclamados filmes documentários dos últimos tempos.
A entrada é livre, e haverá um evento paralelo para crianças, na Sala Multiusos.


Este filme será, igualmente, exibido pelos nossos colegas do movimento Portalegre em Transição, no Pequeno auditório do Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre, pelas 16:00 e igualmente com ENTRADA GRATUITA. 
Mais sobre a exibição de Portalegre aqui.

Agradecemos aos produtores e à ZON-Lusomundo, distribuidora em Portugal, a possibilidade de exibirmos esta obra. Agradecemos, igualmente, à Câmara Municipal de Paredes pela disponibilização dos espaços de por todo o apoio que nos estão a prestar.



domingo, 16 de janeiro de 2011

A incrível história Natural de um Saco Plástico

Encontrei este vídeo há tempos no blog Sustentabilidade é Acção, da Manuela Araújo e achei-o extremamente original. Nunca é demais divulgá-lo. Só tenho pena é de não o poder disponibilizar com legendas em português.





sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Lesmas!

Socorro! Uma horda de lesmas está a comer os nossos brócolos, acelgas, alfaces... nem os rabanetes escapam!
 Vejam só o que as malvadas fazem aos brócolos!

 Lá está uma! Apanhada com a boca na botija (ou antes, nos brócolos).

Como eu dizia acima, nem os rabanetes escapam!


Mas como as caixas são brancas e as lesmas escuras, facilmente se descobrem as infelizes. 

 
Muito mais difícil encontrá-las na terra.



Estão a ver o que eu dizia? Olhem esta artista, transitando de uma caixa para outra! Fácil de vislumbrar, ali no branco da esferovite.

Duas compinchas... já vão ver.

Como estamos a lidar com o problema? Regra geral, as lesmas escondem-se durante o dia, aventurando-se na busca de alimento durante a noite. Assim sendo, fazemos várias batidas no terraço à noite, e a verdade é que cada vez encontramos menos lesmas. Ou estamos a eliminar as que tem preferência por deslizar a esferovite, ou estamos a conseguir reduzir a população.
O ecossistema que criámos nas alturas está em desequilíbrio (sempre esteve). Agora falta um predador de lesmas. O que diria o Geoff Lawton sobre o assunto? Penso que diria que este nosso ecossistema nas alturas tem uma deficiência de patos ;-)
Por enquanto, há que continuar com as batidas, se queremos ter vegetais para a mesa. 

Cantar os Reis

Uma das mais saudosas recordações que tenho dos meus tempos de criança eram as noites de Ano Novo e de Reis, em que, na companhia dos meus camaradas de palmo e meio, percorria a parte baixa da vila de Paredes (que na altura ainda não era cidade ;-), no escuro e ao frio, encasacados até às orelhas, a cantar as janeiras e os réis (pelo menos é como lhe chamávamos). Eram as únicas noites do ano em que os nossos pais nos permitiam andar por ali à noite. Tínhamos pouco mais ou menos de 10 anos. Hoje seria impensável!!!
Escolhíamos algumas portas, junto às quais assentávamos arraial, e cantávamos até que nos abrissem a porta - a cantoria parava quando a porta se abria. Talvez fosse melhor assim - regra geral, o barulho dos instrumentos improvisados sobrepunha-se às nossas vozes desafinadas, desarticuladas, entarameladas, por vezes. Mesmo assim, havia sempre algumas moedas que passavam das mãos de uma alma caridosa para o nosso saco - geralmente moedas de cobre. Depois desejávamos um bom ano e ala para a próxima porta.
De vez em quando havia alguém que não nos abria a porta, e para esses tínhamos uma cantiga especial: "Viemos cantar os Reis e voltamos a recantar, para este barbas de farelo que não tem nada para nos dar".
Hoje é raro ouvir cantar Reis e Janeiras, se bem que alguns ranchos o façam de vez em quando. Por esta razão, foi uma agradável surpresa quando vi que a nossa vizinha D. Branca se preparava para, juntamente com a sua família, ir cantar os Reis a outra paragem, e pedi-lhes que o fizessem igualmente à nossa porta. Penso que o meu convite os surpreendeu. Penso também que as crianças apreciaram o facto de alguém ter especificamente pedido que cantassem à sua porta, que valorizasse a sua voz e o seu esforço. A nossa filha de 4 anos não achou grande piada que alguns dos chocolates que lhe deram no Natal passassem para as mãos dos outros meninos, mas não teve outra alternativa senão aceitar, e o acesso de choro passou rapidamente. Foi uma espécie de viagem no tempo. Agradável para todos.



Lembro-me de um episódio que Rob Hopkins mencionou no livro The Transition Handbook, em que, tendo perguntado ao Dr. David Fleming qual seria, na impossibilidade de fazer mais do que uma coisa, a acção que deveríamos tomar para tornar as nossas comunidades mais resilientes e preparadas para o pico do petróleo, e este, após ter feito uma pausa para pensar, respondeu: "integrar-se no coro".
Também assim se cria comunidade e resiliência. A cantar os Reis.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Temos Sabão, ecológico, caseiro!

Para quem estava curioso de saber o resultado da actividade do Sábado passado, temos sabão! Ecológico, caseiro! Ou em latim, habemus sapo!
Todos os sabões/sabonetes que fizemos estão sólidos, mesmo o de azeite e alecrim, que demorou mais tempo, mas que também está no bom caminho. Estive há um bocado na garagem, e isto é o que se pode ver:


Ainda não está completamente sólido, mas dá para ver como vai ficar.

Tem um ligeiro aroma a laranja, e quando lavei as mãos depois de o desenformar, fez uma espuma razoável, e o aroma não era mau. Nada que fizesse lembrar que foi feito com óleo de frituras queimado. Os pedacinhos de casca de laranja no interior dão um aspecto interessante.
O balanço da actividade não podia ser mais positivo: deu-se um destino nobre ao óleo de cozinha, evitando que tivesse de ser reprocessado, reutilizou-se as embalagens de leite e de iogurte, criou-se comunidade e, o melhor de tudo, foi uma actividade extremamente lúdica para as nossas crianças em Transição.
Paredes segue com a sua Transição.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Portalegre em Transição

Os nossos colegas de Portalegre já têm uma página oficial. Constituíram-se como associação no dia 5 de Janeiro, e no Sábado farão a sua apresentação pública à comunidade.
Poderão escutar a entrevista que o Luís Bello Moraes, um dos fundadores do movimento, deu à rádio Portalegre aqui.
Eis como se apresentam na sua nova página:
A Associação Portalegre em Transição é formada por um grupo de voluntários que pretende promover na cidade de Portalegre, um modelo de resiliência tendo como principais referências o pico de petróleo e as alterações climáticas.
O movimento de transição pretende fortalecer as comunidades, de forma a torná-las menos dependentes do petróleo, dos preços globais dos alimentos, etc, reduzindo a sua pegada ecológica, nomeadamente no que respeita às emissões de dióxido de carbono. Pretende fazer com que cada indivíduo se sinta parte de um meio que funciona de forma integrada e com perfeito sentido de comunidade.
O movimento de Transição encontra-se neste momento a desenvolver-se de uma forma impressionante, quase viral, por todo o mundo, resultando talvez do aumento da consciência dos cidadãos relativamente às problemáticas ambiental e energética da actualidade.
Surgem por todo o lado, existindo já várias no nosso país, organizações que implementam modelos de intervenção nas comunidades locais baseados em conceitos como os já mencionados, sustentabilidade social, económica e ambiental, resiliência de uma comunidade local, etc. Estas associações procuram sensibilizar a população, envolvendo-a nas actividades desenvolvidas, para uma actuação social e ambiental coordenada, pensada, regrada e responsável, com vista à redução significativa das emissões de CO2, da redução da dependência do petróleo e seus derivados, uma utilização responsável e eficiente dos recursos energéticos entre outros.
Foi constituída como Associação sem fins lucrativos em Portalegre a 5 de Janeiro de 2011 (seguir este link para ver os estatutos).



Aqui fica o PROGRAMA DA APRESENTAÇÃO:
16h00: Boas-vindas por parte dos membros do grupo Portalegre em Transição
 • Introdução: "Transition Network" / Iniciativa “Portalegre em Transição”
 • Apresentação da agenda com uma explicação curta de cada um dos items
 16h05: Visionamento da apresentação do Movimento de Transição, por Rob Hopkins, na série de conferências TED talks
 16h25: Apresentação do projecto da Aldeia das Amoreiras. Exemplo de um projecto da rede Transição em Portugal.
 *Pausa para café*
 17h30: Apresentação do projecto Portalegre em Transição
 17h45: Discussão geral, eventos futuros e encerramento



Contacto: portalegremtransicao@gmail.com
http://portalegreemtransicao.org/
Facebook: facebook.com/pages/Portalegre-em-Transicao/140426666015283

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Portugal vai ter de pagar mais para garantir a alimentação

Não é nosso costume reproduzir notícias de jornal neste blog, mas já o fizemos antes e... É disto que temos andado a tentar alertar as pessoas. Acorda, Portugal!
(Saiu no Público de hoje)

Portugal vai ter de pagar mais para garantir a alimentaçãoDéfice da balança alimentar cresceu 23,7 por cento na última década


10.01.2011 - 07:19 Por Ana Rita Faria

Temos de importar mais de 60 por cento da carne que consumimos, deixámos de ter produção de açúcar e só há pouco tempo começámos a plantar olival.

E temos de importar praticamente tudo o que consumimos em matéria de cereais, até mesmo para alimentar o gado nacional. Nos últimos dez anos, o défice da nossa balança comercial alimentar disparou 23,7 por cento. Os portugueses estão cada vez mais dependentes do estrangeiro para comer e, por isso, cada vez mais vulneráveis a uma escalada dos preços das matérias-primas alimentares como a que está a acontecer agora.De acordo com os dados da Organi- zação das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), os preços das matérias-primas alimentares nunca estiveram tão altos como agora. O índice da FAO, que reúne 55 produtos diferentes, atingiu em Dezembro o recorde histórico, depois de ter estado a subir durante seis meses consecutivos. O açúcar, os óleos e os lacticínios acumulam as maiores subidas desde 2009, mas os cereais e a carne também estão a aumentar.

O ministro da Agricultura, António Serrano, disse na semana passada ao Jornal de Negócios que esta nova crise pode ser uma oportunidade para Portugal, incentivando os produtores. Mas a verdade é que o país está mais vulnerável do que nunca a um choque de preços deste tipo, devido à elevada dependência do estrangeiro para se abastecer da maioria dos alimentos.

Para já, a escalada dos preços ainda não se traduziu em subidas significativas dos preços finais - a inflação nos produtos alimentares rondava os 2,5 por cento em Novembro - mas já fez aumentar os custos na importação de alguns produtos. É o caso dos de cereais que, só em Outubro, dispararam 76,9 por cento, para os 71 milhões de euros. Os gastos com compra de carne no exterior também subiram 1,4 por cento.

"Todos os factores de produção aumentaram de forma brutal, criando uma situação insustentável para muitas empresas da fileira agro-alimentar", revela Pedro Queiroz, director-geral da Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares (FIPA).

Problemas climatéricos que afectaram as colheitas ou as produções na Rússia, na Argentina e na Austrália, aliados a um aumento da procura por parte de países como a China e a Índia, ajudam a explicar a subida dos preços das matérias-primas. Aos custos elevados, junta-se, em Portugal, um "problema de soberania alimentar", decorrente "de anos e anos de uma política agrícola comum que nos fez desinvestir na produção", considera o director da FIPA.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), o nosso défice comercial (saldo entre as exportações e as importações de alimentos) aumentou 23,7 por cento entre 1999 e 2009, totalizando 3,3 mil milhões de euros (ver infografia). Apesar de as exportações terem crescido mais de 100 por cento nesse período, as importações também subiram mais de 50 por cento e continuam a representar quase o dobro dos produtos que exportamos. Ainda assim, o valor do défice face ao produto interno bruto diminuiu, embora não tanto quanto seria de esperar, passando de 2,3 por cento em 1999 para dois por cento em 2009.

Em 2010 (pelo menos até Outubro), e também em 2009, houve até reduções ligeiras do défice alimentar, mas sobretudo devido à crise, que levou a uma retracção das importações, enquanto as exportações mantiveram o seu fôlego.

Impacto nos preços?

Para Maria Antónia Figueiredo, presidente do Observatório dos Mercados Agrícolas e Importações Agro-Alimentares (OMAIAA), a escalada das matérias-primas alimentares pode conduzir a um aumento dos preços finais para o consumidor, mas isso "vai depender dos agentes do mercado e da existência ou não de stocks suficientes". Alguns sectores, como o da produção de pão e de carne, não tencionam repercutir nos preços finais o aumento dos custos com as matérias-primas (ver textos ao lado). O mesmo se passa com os grandes retalhistas.

"Nos últimos anos, o sector da distribuição tem conseguido acomodar os aumentos das matérias-primas, comprando mais caro ao produtor e não repercutindo isso no consumidor, e é natural que continue a fazê-lo", afirma Luís Reis, presidente da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição. O responsável considera que "o aumento da eficiência no sector torna pouco provável a subida dos preços este ano, ainda para mais num cenário em que se prevê uma queda do consumo privado.

Mas, enquanto Portugal ainda só receia um aumento dos preços, outros países já estão a pagar a factura. Moçambique foi o primeiro a dar sinais de alarme, quando, em Setembro de 2010, 13 pessoas foram mortas durante protestos contra o aumento de 30 por cento no preço do pão. Na semana passada, contestação tomou de assalto a Argélia, onde os preços do açúcar e do óleo dispararam. O principal receio é que uma nova onda de agitação social atinja os países menos desenvolvidos como aconteceu durante a crise alimentar de 2007-2008.

Nessa altura, um cocktail explosivo de más colheitas agrícolas, aumento da procura por parte dos países emergentes, maior produção de biocombustíveis, à mistura com a especulação nos mercados, provocou uma subida gigante nos preços das matérias-primas alimentares.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Oficina de Sabão Ecológico

A actividade estava prometida há muito, e hoje cumprimos o prometido.
O objectivo era fabricarmos sabão ou sabonete usando para tal o óleo e azeite que foram sendo guardados depois de terem sido utilizados para fritar batatas, rissóis, etc...

O grupo (ou parte dele) em plena tarefa.

 O primeiro passo foi dissolver a soda cáustica, em água bem quente, mexendo até ficar líquida.

Depois houve que juntar a soda cáustica ao óleo e azeite entretanto filtrados (mantivemos os dois tipos de óleo separados, para termos uma ideia do tipo de sabão que cada um irá gerar). A mistura deverá ser mexida durante 30 a 40 minutos, até adquirir consistência.

Entretanto, afastado o risco da soda cáustica, as nossas crianças entraram em acção e deram o seu melhor a recolher as folhas e flores de alecrim...

Que depois foi macerado num almofariz, com azeite, para se recolher as essências


Por vezes é necessário que os adultos dêem uma ajuda...

Recolhendo raspa de laranja e pedacinhos da casca de laranja, para aromatizar e dar textura a alguns dos sabonetes...

Para o que também usámos canela e aveia.

Deitando nas formas (no nosso caso usámos pacotes Tetra Pak e de iogurte).

O produto já nas formas, onde esperará alguns dias até poder ser usado. Nota: só deverá ser usado 10 dias após a confecção.

Uma boa utilização para os pacotes Tetra Pak e de iogurtes, que ainda poderão ser reutilizados ou enviados para reciclagem.


Acabámos por experimentar algumas variedades de sabão/sabonete:
  • Simples
  • Com aroma e textura de laranja
  • Anis-estrela e cardamomo
  • Canela
  • Aveia
  • Azeite e alecrim
Não podemos deixar de agradecer à Cooperativa Agrícola de Paredes pelo espaço e pelas as condições que nos proporcionou para podermos efectuar esta actividade. Bem hajam!


Receita:
  • Juntar 0,35L de soda cáustica líquida por cada litro de óleo ou azeite;
  • depois de adicionar a soda cáustica ao óleo/azeite, mexer 30 a 40 min até adquirir consistência;
  • juntar as essências e corantes antes de enformar;
  • esperar 10 dias até usar.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Cultivando o Deserto

"Greening the Desert II" é o nome original deste vídeo, que mostra o trabalho de Geoff Lawton e do Permaculture Research Institute of Australia (PRI) no deserto junto ao Mar Morto, na Jordânia. O título português é invenção nossa ;-)
Gostaríamos de disponibilizar legendas em português, mas dada essa impossibilidade, disponibilizamos o documentário no inglês original. De resto, os títulos resumem os conteúdos e as imagens falam por si, proporcionando uma tremenda visão do que se poderá conseguir usando os princípios da permacultura.
Usufruam!

Filhos do Inverno

Colhidos ontem à noite, minutos antes do jantar. Foi só sair ao terraço e colher estes dois rabanetes e algumas folhas de alface para a salada. Conveniente! :-)
Para plantas que cresceram com temperaturas baixíssimas (para a nossa região) e geadas frequentes, nada mau!