Paredes em Transição

O movimento Paredes em Transição é uma rede de amigos que vivem na cidade de Paredes, no Norte de Portugal, que partilham a preocupação de que a debilitante dependência em combustíveis baratos de que a nossa sociedade e economia padecem – e que não está a receber a devida atenção dos vários governos, que parecem actuar na premissa de que o petróleo barato e abundante continuará por cá em perpetuidade – possa vir a resultar em graves e imprevisíveis problemas de que a tecnologia não conseguirá livrar-nos, e que poderão afectar muito negativamente o nosso futuro e o dos nossos filhos. Saiba mais no menu Projecto.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Faça o seu Iogurte. Fácil, Fácil, Fácil

Dei hoje conta que me tinha esquecido de incluir uma imagem (em que se adiciona o iogurte ao leite aquecido) na sequência, de modo que repesquei este artigo de 15 de Janeiro.


Quase se pode dizer que cá em casa consumimos mais iogurte do que leite. A coisa anda lá perto e as razões são várias. Para além de possuir cerca de 20% mais proteínas do que o leite que lhe deu origem, o iogurte é um dos melhores e mais saudáveis alimentos à nossa disposição. Parte das suas qualidades radica nas bactérias Lactobacillus bulgaricus e Streptococcus termophilus que existem no iogurte, pelo que quanto mais fresco, melhor (o que eu quero dizer aqui é que o iogurte acabado de fazer em nossas casas é de melhor qualidade que o que compramos no super-mercado). Convido-vos a investigarem um pouco mais sobre este maravilhoso alimento.
Bom, voltando a casa, o nosso consumo diário de iogurte mede-se em litros! Já me me perguntaram várias vezes como fazemos o nosso iogurte. Embaraçado, tinha que admitir que o segredo do nosso sucesso era um aparelhómetro que cá temos chamado Bimby. Um dia recebi um e-mail de uma pessoa que me perguntou como poderia fazer o seu iogurte. Presumindo eu que essa pessoa não tivesse em casa o dito aparelhómetro chamado Bimby, vi-me forçado a puxar pela cabeça para imaginar um método que possa ser usado rápida e facilmente em qualquer casa portuguesa. Partindo do princípio que a esmagadora maioria das habitações portuguesas conta com um micro-ondas, aqui vai. É fácil, fácil, fácil:

       
1. Deitar o leite num frasco de vidro com cerca de um litro de capacidade. Deixar espaço para o iogurte que teremos que adicionar, bem como um espaço vazio para se poder homogeneizar a mistura, ao agitar o frasco. No nosso caso, usamos um pouco menos de um litro de leite.


2. Aquecer no micro-ondas durante cerca de 3 minutos (a temperatura pretendida andará à volta dos 60ºC, talvez um pouco menos). Como o vidro poderá aquecer bastante, recomenda-se cautela ao retirar o frasco.


3. Juntar um iogurte (ou uma quantidade de iogurte da "fornada" anterior). Esta imagem poderia até substituir a imagem com o produto final.

4. Vedar com a rolha e agitar de modo durante alguns segundos, para homogeneizar a mistura.

5. Depois de homogeneizado, abafar com uma manta de forro polar, cobertor, ou com o que quer que seja que impeça que o conteúdo do frasco arrefeça rapidamente (eu faço uma trouxa usando dois blusões de forro polar que costumava levar para a montanha). Depois é só esperar cerca de 8 horas e temos o iogurte pronto para ser consumido.


Em nossa casa, este processo é feito à noite, antes de deitar, e repetido de manhã, antes de sair de casa. Produzimos cerca de dois litros por dia. Deve-se resistir à tentação de usar o mesmo frasco de manhã, pois o iogurte acabará por sair com um sabor mais acre, que não é muito desejável.


Uma dica: descobri que gosto mais da textura que o iogurte adquire depois de ter esfriado no frigorífico.

Nota: há dias perguntaram-me se eu usava flor de iogurte, ou kefir, mas não. Uso iogurte normal, se bem que o que até à data me proporcionou mais satisfação foi o iogurte grego, que se vende sob as marcas Continente e Danone.
Já agora, se alguém tiver uns grãos de kefir a mais que me possa ceder, ficarei muito agradecido.

3 comentários:

Ana Teresa disse...

Ilha de São Miguel, Açores

Esta terra tão bonita, está muito contaminada com adubos químicos, herbicidas e insecticidas (principalmente por causa de erva e milho para as vacas) e tenho a desconfiança de que já existem transgénicos apesar de não constar.

É a monocultura da vaca que é altamente subsidiada. Há subsídios para tudo e até para a morte.

E por falar nisto, descobri uma coisa inacreditável: andava eu em pesquisas sobre quantos animais para consumo eram mortos no matadouro de Ponta Delgada (a capital de São Miguel, este número só diz respeito aos animais da ilha, pois quase todas as ilhas possuem matadouros), quando me deparei com uma informação absurda (é só para perceberem que até nestes ares plácidos e bonitos, se esconde o papão do capitalismo e especismo desenfreado), são abatidos entre 800 a 1000 bezerros (bebés) por semana, para serem totalmente incinerados para se poder manter a cota de mercado. Por cada um desses bezerros o agricultor recebe 75 euros.

E como é que existem assim tantos bezerros? Existem porque as vacas, assim como nós mulheres, só têm leite se tiverem filhos, e como a espécie humana dos países desenvolvidos bebe tanto leite e derivados, as nossas queridas e simpáticas vaquinhas têm que andar a ter bebés, para nós não ficarmos sem leite.

Como se a nossa vida dependesse do leite e derivados, dessa quantidade tremenda que ingerimos e que se comercializa. Capitalismo cada vez mais selvagem é a resposta, não a nossa saúde.

Tenho que explicar isto, porque a maioria das pessoas pensa na vaquinha feliz no campo, ou na quinta familiar, a dar leite, sem ter tido filhos.

Segundo fontes veterinárias, para produzir leite, a vaca é sujeita a tratamentos hormonais para ovular na altura desejada e inseminada com sémen congelado de touros seleccionados, o vitelo é retirado mal seja vendável (neste caso, compram a morte do bezerro), a vaca é mantida a produzir leite máximo de tempo possível, sendo a qualidade do leite mantida com ração formulada (para se ter o nível adequado de proteína e de gordura).

As vacas precisam de muita terra com pasto, o que, mesmo aqui, nem sempre é possível, por os agricultores terem que alugar as terras se não as tiverem. O que faz, (dependendo da quantidade de vacas por agricultor) com que já existam vacas a viverem quase permanentemente no mesmo lugar. ou seja, temos vacas "semi/aquáticas".

Também descobri que ao ingerir demasiado cálcio, que é o que se faz normalmente nos países desenvolvidos, cuja dieta é á base de carne, leite e derivados, eliminámos tb maior quantidade de cálcio percentualmente. E é por isto que a maioria da população tem e terá osteoporose a níveis fora do normal. Quem tiver paciência, poderá ter explicação melhor que a minha em muitos sítios na net (eu perdi as fontes destas informações).


E podem ver aqui a notícia sobre os vitelos:

http://ww1.rtp.pt/acores/index.php?article=7048&visual=3&layout=10&tm=5

Mesmo o leite dos Açores, não é a maravilha que pensamos e muito menos a vida dos animais.

É uma informação que achei que deve ser partilhada, pelo maior número de pessoas possível, embora á 1ªvista pareça não ter nada a ver com o seu blogue.

A dica sobre o iogurte é óptima.

Miguel Ângelo Leal disse...

Ana Teresa, partilho integralmente a sua revolta e frustração. Não é assim que se deve tratar um animal, seja ele qual for... como um mero recurso.
Agradeço o seu comentário, que só hoje descobrir, e peço a sua autorização para o colocar neste blog como mensagem, dando-lhe o destaque que ele merece.

Ana Teresa disse...

Olá Miguel,
esteja á vontade para fazer o que quiser com o meu comentário e agradeço a divulgação.
Obrigada pela boa energia do blogue e bom trabalho!

VIVA A VIDA!