Este vídeo é a parte 1 de 7 (legendados em poruguês) que podem se encontrados no YouTube e que constituem o filme: Consuming Kids: The Commercialization of Childhood, de 2008.
O movimento Paredes em Transição é uma rede de amigos que vivem na cidade de Paredes, no Norte de Portugal, que partilham a preocupação de que a debilitante dependência em combustíveis baratos de que a nossa sociedade e economia padecem – e que não está a receber a devida atenção dos vários governos, que parecem actuar na premissa de que o petróleo barato e abundante continuará por cá em perpetuidade – possa vir a resultar em graves e imprevisíveis problemas de que a tecnologia não conseguirá livrar-nos, e que poderão afectar muito negativamente o nosso futuro e o dos nossos filhos. Saiba mais no menu Projecto.
A Call to Large Scale Earth Healing and Lessons from the Loess Plateau
Enquanto escrevo estas palavras, durante o Verão mais quente desde que há registos, metade da Rússia está a arder. O Paquistão encontra-se a braços com as maiores cheias na memória dos seus anciãos e a Austrália encontra-se refém de uma seca que dura já uma década. Por todo o Mundo, a última década é a mais quente desde que há registos e 2010 poderá bater os Records de 1998 e 2005, tornando-se o ano mais quente de que temos conhecimento. Podíamos passar semanas a examinar, país a país, as manifestações extremas de um clima errático que nos últimos tempos se têm feito sentir.
No nosso processo de destruição da Natureza, atravessamos agora uma linha imaginária para lá da qual todos os nossos esforços para regenerar o planeta encontrarão maior dificuldade em suceder. O nível de destruição dos ecossistemas e dos serviços que estes nos prestam foi tal que se despoletou um ciclo vicioso extremamente perigoso. O clima tornou-se um comboio desgovernado - e os passageiros somos nós.
Consideremos os incêndios na Rússia, por exemplo - milhões de árvores importantes para a produção de chuva desfazem-se em cinzas, libertando o carbono que continham. As árvores são um sumidouro de carbono. Quando se incendeiam, tornam-se numa fonte de libertação de CO2. As cheias no Paquistão desenraizaram a vegetação, que mais tarde morrerá e muito do carbono nela contido acabará na atmosfera. Com menos árvores, as cheias serão mais frequentes e o solo que estas plantas seguravam será levado pelas águas. No Árctico, o permafrost (o solo vegetal permanentemente gelado) está a derreter, libertando metano - um dos mais potentes gases de efeito de estufa - a um nível sem precedentes - prenunciando ainda maiores subidas na temperatura. Os nossos oceanos estão a tornar-se mais ácidos, ameaçando tornar o maior sumidouro de carbono do Planeta em mais uma fonte de libertação de CO2. E por aí adiante…
As peças do dominó estão a cair, uma após outra, após outra. É como se a Natureza nos gritasse: "Se não apreciam os serviços prestados pelos ecossistemas, vou acabar com eles de vez".
Encontramo-nos perante uma crise a uma escala sem precedentes. Acima da crise energética, da crise climatérica, e das crises provocadas pela deterioração do solo, da água e da biodiversidade, paira a mãe de todas as crises - a crise alimentar. As colheitas desfazem-se em fumo ou são levadas pelas águas, e o mesmo acontece com os nossos preciosos solos, enquanto que as reservas de cereais do planeta se encontram no nível mais baixo e a produção em declínio, enquanto que a procura aumenta. No actual contexto populacional, tal crise alimentar traduzir-se-á numa crise sócio/politico/económica numa escala que fará com que as convulsões da Segunda Guerra Mundial pareçam um passeio pelo parque.
As coisas estão a ficar feias, mas muitos ainda não acordaram para contemplar a formidável tempestade que se está a preparar. E dos poucos que acordaram, muitos limitam-se a discutir lâmpadas de baixo consumo, veículos híbridos, créditos de carbono e reciclagem. Discute-se sermos um pouco “menos maus”, ignorando a necessidade urgente de cada um de nós - cada um dos seis mil e oitocentos milhões de nós (e sempre a subir, a uma taxa de mil milhões a cada doze anos…) - nos tornarmos, imediatamente um elemento positivo na biosfera. E temos que agir depressa! (O provérbio inglês “um ponto em bom tempo pode evitar nove” parece apropriado quando se têm em consideração estes ciclos viciosos….)
No entanto, existe uma solução! E a solução é um esforço colectivo e em grande escala para ajudar a Natureza a restaurar os processos biológicos que, até agora, mantiveram o planeta estável ao longo de milénios. A solução encontra-se no design, na observação e replicação dos sistemas simbióticos naturais. Não precisamos apenas de menos carros, precisamos de mais biologia – mais fotossíntese e mais vida! Não teremos florestas húmidas por todo o lado, mas poderemos, certamente, ter florestas por todo o lado capazes de nos fornecerem alimentos! O documentário que encontrarão abaixo, e que, de certa maneira, ilustra o que foi dito acima, lança uma centelha de esperança. O filme documenta uma incrível jornada de transição e restauração de uma área com 35.000 quilómetros quadrados no planalto de terreno sedimentar onde nasce o Rio Amarelo, no Norte da China. A jornada começa com este vasto território completamente erodido pelo sobrepastoreio e cheias constantes, e termina mostrando encostas de socalcos verdejantes, estabilização das cheias, produção abundante de alimentos e prosperidade. Esta jornada durou apenas 10 anos.
Assistam a este documentário e enquanto o fazem, considerem qual o tipo de sistema social/politico/económico mais propício para que tal resultado seja atingido em outros locais do Mundo. É um mix interessante de interferência “top-down” (do governo para o povo, tanto em termos de regulamentos impostos como de investimentos financeiros) combinada com “privatização do território” e envolvimento participatório a todos os níveis. Este documentário reforça a ideia de que é necessário construir comunidades resilientes, localizadas, educadas holisticamente e com ampla participação política, cujos membros não colocam de lado o governo, mas que através de um maior envolvimento no processo de tomada de decisões (incluindo a escolha dos seus representantes) se tornam efectivamente governo e auto-determinam a construção de um mundo melhor, baseado na boa gestão do território e simplicidade voluntária. Para atingir os resultados ilustrados no documentário que se segue, não podemos agir como indivíduos isolados, trabalhando para o nosso próprio interesse. Precisamos de unir esforços e trabalhar colectivamente. E em muitos casos, decisões que foram amplamente discutidas, com complexidade e sensibilidade, terão que ser impostas àqueles que não conseguem ver o quadro completo ou pura e simplesmente se estão a borrifar.
Poderão, igualmente, assistir a este filme na página Documentários.
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| Pedreiro João Camula a fazer o novo muro com granito |
| Taking tiles off old house, for re-use on Alambique |
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| Same tiles, onto alambique roof - made using local wood and breathable membrane material |
Gostava que me acompanhassem neste exercício:
Imaginemos que percorremos a Avenida da República (ou outro qualquer local de Paredes) daqui a 20 anos (quando eu estiver quase a fazer 60 anos!). Imaginemos que durante todos estes anos nada fizemos para mudar o curso dos acontecimentos e as coisas não aconteceram, de todo, como esperávamos. É 2030. Sucessivos Governos não nos prepararam em condições para enfrentar o fim dos combustíveis baratos (que acabou por nos bater à porta), e o efeito das alterações climáticas têm-se feito sentir da pior maneira. Dos efeitos da crise do sistema financeiro, então, é melhor nem falar. Ignorámos todos os sinais de alerta que iam aparecendo, e continuámos com as nossas vidinhas como se nada disto fosse connosco. E qual foi o resultado?
2030… Tentemos descobrir o que se passa em Paredes. Em que situação vivemos, qual a origem do sentimento de desânimo que se vê cunhado nas expressões das pessoas que passam… Como é que elas vivem? Como é que se dão entre si? Se conseguíssemos enviar uma mensagem de aviso para nós mesmos em 2010, o que é que diríamos? Onde é que errámos? Pensem nisto…
Voltemos agora ao presente e tratemos de digerir o aviso que nos chegou do futuro.
Viajemos de novo para o futuro, mas desta vez para um futuro onde as coisas correram bem. Imaginemos que percorremos a Avenida da República (ou outro qualquer local de Paredes) em 2030, e o sentimento geral à nossa volta é de um optimismo surpreendente. 20 anos atrás os cidadãos decidiram mobilizar-se para criar um futuro melhor, e as coisas acabaram mesmo por correr melhor do que se esperava. Paredes é uma comunidade em Transição bem sucedida, conseguimos dar resposta aos vários desafios e alterações que se nos foram deparando, e as surpresas agradáveis são muitas.
Imaginemos como é a nossa vida neste futuro desejável. O que se passa à nossa volta? As pessoas parecem felizes, contentes com as suas vidas… qual a origem deste sentimento? Qual a razão principal para as pessoas se sentirem assim?
Como comunidade em Transição bem sucedida, Paredes consegue viver bem com menos combustíveis de origem fóssil. O que mudou? Como se processa a mobilidade de pessoas e bens? Em 2030, como aquecemos as casas no Inverno? Como são os cuidados de saúde? O que se ensina nas escolas? Qual o aspecto da Avenida da República (ou qualquer outro local de Paredes que escolheram para esta viagem ao futuro)? O que se passa nos nossos jardins, hortas e vizinhança? O que aprendemos duramente até chegarmos aqui? O que é que nós próprios fizemos para ajudar a chegarmos a este ponto? Se conseguisse falar comigo mesmo em 2010, que mensagem deixaria que nos pudesse ajudar a preparar de forma positiva às mudanças que nos esperavam?
Regressemos, de novo, ao presente. Tentemos escutar os conselhos e conhecimentos que obtivemos do futuro. Em que é que este cenário difere do futuro negativo que visitámos anteriormente? Tentem ser objectivos e sistemáticos na vossa análise de comparação.
Se o exercício correu como esperado, neste momento todos estaremos de acordo que é essencial que nos mobilizemos para fazer qualquer coisa. JÁ!
Do mesmo modo que cheguei à conclusão que o modo de vida que levamos é manifestamente insustentável, e que, a dada altura terá, forçosamente, que dar de si, com as inconveniências que irremediavelmente trará às nossas vidas, à nossa família e à nossa comunidade, descobri que em alguns pontos do Globo grupos de cidadãos se organizam, ganham influência, agarram a atenção dos media, interagem com o poder local e conseguem levar a água ao seu moinho. Estes grupos, pouco a pouco, estão a conseguir recuperar algum controlo sobre o modo como as coisas se processam na sua comunidade. Estes grupos organizam-se nacionalmente e conseguem, sem um único press release, fazer-se acompanhar pelos media nacionais, fazer com que um Ministro (Ed Miliband, do Reino Unido) aceite o convite que lhe foi feito para participar numa conferência como "Ouvinte" (e não orador), ou que o Ministro que lhe sucedeu tivesse convidado os líderes do movimento para serem consultados no que toca à nova política nacional (do Reino Unido) de energia e combate às alterações climáticas.
Ao contrário da aparição de uma nova fonte de energia limpa que possa substituir o petróleo na escala em que o utilizamos, o que leram acima não é ficção. Aconteceu noutros locais e poderá ser replicado em muitos mais.
Já devem ter-se apercebido que estou a falar do Movimento de Transição.
Ao contrário do movimento ambientalista, que em 40 anos de luta pode contar muito poucas vitórias, o Movimento de Transição, com o seu modo peculiar de evitar recriminações e capitalizar na boa disposição e no enriquecimento pessoal dos intervenientes, desde 2006 que se espalha pelo mundo como rastilho de pólvora, com os resultados que já se podem ver.
Em Paredes temos tudo a nosso favor para conseguirmos fazer vingar este movimento: temos capital humano; temos um conjunto de boas cabeças; temos criatividade; iniciativa; temos instituições que já manifestaram vontade de colaborar connosco, só falta mesmo o SEU envolvimento.
Venha juntar-se a nós!
Este exercício foi baseado num outro desenvolvido por Hermione Elliott, da Transition Town Lewes, que se inspirou no livro: Life Changes through Imagework, de Dina Glouberman.
In Transition 1.0 from Transition Towns on Vimeo.