Paredes em Transição

O movimento Paredes em Transição é uma rede de amigos que vivem na cidade de Paredes, no Norte de Portugal, que partilham a preocupação de que a debilitante dependência em combustíveis baratos de que a nossa sociedade e economia padecem – e que não está a receber a devida atenção dos vários governos, que parecem actuar na premissa de que o petróleo barato e abundante continuará por cá em perpetuidade – possa vir a resultar em graves e imprevisíveis problemas de que a tecnologia não conseguirá livrar-nos, e que poderão afectar muito negativamente o nosso futuro e o dos nossos filhos. Saiba mais no menu Projecto.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Público - Paredes e Pombal ensaiam transição

O texto abaixo foi publicado no suplemento sobre arquitectura do jornal Público de Domingo, 13 de Junho. Foi uma enorme surpresa quando, alguns dias antes, recebemos o contacto do jornalista Carlos Filipe, que procurava informações sobre o movimento de transição em Portugal, uma vez que ainda não nos tínhamos aberto à comunidade, encontrando-nos, apenas, registados na Transition Network. O resultado da colaboração foi este artigo:


Experiências novas, de cultivo ou permuta de sementes, fabrico de pão e de iogurte e loja de trocas vão dando forma à resiliência das comunidades.

A ideia é sermos criativos, e será através dos actos individuais, ou colectivos, das sociedades, empresas, governos, e em qualquer sítio fértil, um pequeno campo, uma horta, que a experiência das cidades em transição começa a ganhar forma. Na Europa, Reino Unido, Austrália, Estados Unidos da América e também com indícios de movimento em Portugal.

"Temos que procurar projectos, mas pensar sempre de que energia precisamos para os fazer, ou para os reconverter, ou de os destruir. Caso contrário, não compensa. Para que não dependamos sempre dela [a energia gerada pelo petróleo]", diz Sabadell Artiga, que bebeu a inspiração de Rob Hopkins, professor inglês de Filosofia e precursor do movimento Transition Towns (TT), que iniciou em 2008. "Fui ouvi-lo a uma conferência na Escócia para falarmos sobre o Peak Oil. E foi um choque!", explica Artiga.

Este artista catalão, que dinamiza pela Europa o projecto Post Oil Cities, salienta a importância dos movimentos de comunidades, e da sua capacidade de superação de adversidades, da resiliência (capacidade de superar as adversidades, de voltar atrás, à forma original), palavra-chave usada por Hopkins, numa espécie de manual para a transição, na rede do movimento (www.transitionnetwork.org).

Em 2008, mais de 350 cidades em todo o mundo iniciaram processos de TT, através de acções simples, que pretendem envolver as comunidades locais e são agora desenvolvidas quase todos os dias. Em Março deste ano, a acção Vamos Limpar Portugal bem que se poderia inserir no processo TT. Outras acções podem assumir formas mais ou menos criativas, desde que não consumam energia. É essa a condição.

Em Portugal, já se dão passos nesse sentido. Mas é uma transição tranquila, conforme nota Miguel Leal, "para que não haja lugar a más interpretações, por parte da população ou do poder local": "São forças vivas cuja cooperação é vital para que esta iniciativa possa vingar e prosperar". O biólogo, de 39 anos, faz parte do Paredes em Transição, grupo de 20 amigos que ainda testa os seus conhecimentos em algo prosaico como fabricar pão.

São quase todos trintões, licenciados, e com as mais variadas profissões (professor universitário, técnico superior da administração local, consultor, bancário, arquitecto, economista, geógrafo, engenheiro). Para que o processo tenha sucesso, Miguel Leal considera que "é vital reconstruir a resiliência das nossas comunidades através de uma relocalização da economia, consumindo bens e energia produzidos localmente, apoiando os agricultores locais ao adquirir os seus produtos, frequentando o comércio tradicional, tentando reaprender certas técnicas de produção em vias de desaparição e cultivando a entreajuda entre os elementos da comunidade."

Como o têm feito? "Já tivemos várias actividades ligadas à produção de alimentos, trocas de sementes, plantas e alimentos por nós produzidos. A produção do próprio pão tem sido, aliás, uma mudança interessante para alguns de nós, e compramos grande parte das farinhas a um moleiro local, que mantém um moinho tradicional accionado pelas águas do rio Sousa", conta o biólogo, que adianta: "Já não compramos iogurtes, uma vez que os fazemos todas as noites. O próximo objectivo neste campo é passar a comprar o leite fresco directamente ao produtor."

João Leitão também se movimenta com um grupo de amigos, ainda que informalmente, mas em Abril já realizaram um colóquio em Pombal. "Estamos a idealizar uma horta comunitária e a co-organizar, com a Transition Network, o primeiro curso nacional de Iniciativas de Transição, que acontecerá em Outubro". O projecto da loja Coisas do Vizinho (troca de objectos), em Pombal, que considera uma das boas práticas de transição, dará também o seu contributo para fazer chegar às pessoas a ideia. "Estamos numa fase ainda na criação de parcerias com instituições, mas "a iniciativa já é imparável."C.F.


Domingo13/06/2010
http://jornal.publico.pt/noticia/13-06-2010/paredes-e-pombal-ensaiam-transicao-19581055.htm

2 comentários:

Xana disse...

Um pequeno passo para a humanidade, mas um grande passo para o grupo "Paredes em Transição"...

Miguel Ângelo Leal disse...

Somos quase todos trintões!!! Não há emoticons para isto?